5 de setembro de 2013

Eugene H. Merrill - Uma teologia de Deuteronômio: A renovação do convereto

Fundamental a qualquer estudo sério de Deuteronômio nos dias de hoje é o
reconhecimento de que está na forma de documento do concerto, um ponto fir-
mado acima da discussão por diversos estudiosos em todo o espectro teológico. 
Levando em conta esta forma — especificamente a forma de tratado entre suse-
rano e vassalo, exaustivamente comprovada por fontes hititas — o conteúdo, de
acordo com a expectativa, reflete a linguagem e interesses do concerto. Na realida-
de não é exagero propor que o concerto é o centro teológico de Deuteronômio.
Neste caso, temos de reconhecer que Deus é o iniciador do concerto, o grande
Rei, que Israel é o recebedor do concerto, o vassalo, e que o livro em si, completo
com os elementos essenciais de documentos de tratado-padrão, é o órgão do con-

certo. Toda tentativa em lidar teologicamente com Deuteronômio tem de ser com
atenção total e apropriada à forma e tema do concerto dominante. Isto significa que
a revelação divina de si mesmo e de outros assuntos deve ser entendida dentro do
contexto do concerto, porque é o propósito divino no documento representar-se em
um papel particularizado: Soberano, Redentor, Fazedor do concerto e Benfeitor.
Empregar a rubrica e classificações padrões, sem vesti-las com conteúdo per-
tinente a concertos, é abusar teológica e hermeneuticamente do livro de Deutero-
nômio. Mas para entendermos o Senhor neste sentido especializado de concerto,
temos de ver como Ele se revela e se descreve em Deuteronômio. Quer dizer,
temos de determinar os meios da auto-revelação divina e seu conteúdo. Podemos
classificar a auto-revelação em atos, teofania e palavra, e o conteúdo em nomes
e epítetos, pessoa, atributos e caráter, e função divinos. Tudo isso tem de ser ali-
mentado pela estrutura do concerto no qual deliberadamente funciona.


EUGENE H. MERRILL

ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento : CPAD, 2009