10 de setembro de 2013

Eugene H. Merrill - A Revelação divina: seu conteúdo

O Senhor revela a sua vontade e propósitos claramente nos atos, teofania
e palavra, mas temos de entender a sua natureza como Deus soberano de modo
além destes, em uma auto-revelação mais imediata e específica. Moisés e o povo
de Israel realmente ouviram, viram e sentiram o Senhor, mas de modo desco-
nhecido aos homens hoje (cf. Dt 34.10-12). Ele comunicou mais completa e
claramente a maravilha da sua Pessoa e plano. Estas características emergem à
medida que são desdobradas na revelação deuteronômica, uma revelação não
limitada a Israel daqueles dias, mas disponível a todos que lerem suas páginas. 
Temos de ler e interpretar o que lemos levando em conta o papel que o Se-

nhor assumiu no documento, qual seja, o grande Rei que fez concerto com o seu
servo humilde e indigno. Por conveniência, resumiremos o conteúdo da auto-re-
velação nos nomes e epítetos do Senhor, sua Pessoa, atributos, caráter e função.
Os nomes do Senhor. Senhor. O nome Senhor, nome mais expressivo do
papel de Deus no concerto, ocorre sem restrição mais de 220 vezes em Deutero-
nômio. Aparece 35 vezes no prólogo (Dt 1-4), 119 vezes na seção de estipulação
(Dt 5-26), 51 vezes na seção de sanção (Dt 27-31) e 16 vezes na seção de poesia
(Dt 32-33). Como Adonai Senhor, consta duas vezes, uma vez no prólogo e
uma vez na seção de estipulação. A frase “o SENHOR, Deus de vossos pais” (e se-
melhantes) ocorre sete vezes: três no prólogo, três na seção de estipulação e uma
vez na seção de sanção. A frase “o SENHOR, teu Deus” aparece umas 300 vezes:
46 no prólogo, 207 na seção de estipulação e 46 na seção de sanção. Muitas ob-
servações teológicas podem ser feitas baseadas na distribuição do nome divino
Senhor em Deuteronômio.

(1) Quase exclusivamente este é o nome usado nas seções de narração e
parênese. Isto denota claramente o caráter referente a concerto em Deuteronô-
mio: o nome de Deus referente ao concerto atesta o conteúdo do documento
pertinente ao concerto e é derivado da sua forma de concerto.

(2) O uso predominante do Senhor como nome de Deus no prólogo his-
tórico (85 entre as 94 ocorrências ali de nomes divinos) revela que o Senhor é o
Deus da história, particularmente em referência à história de Israel.

(3) O uso predominante do epíteto “o SENHOR, teu Deus” entre as ocor-
rências do Senhor no prólogo histórico (46 entre as 85 vezes) enfatiza a relação
do concerto — Ele é o Deus deles.

(4) O uso predominante do Senhor ou uma de suas combinações nas se-
ções de estipulação (144 entre 162 nomes divinos em Dt 5-11 e 186 entre 200
em Dt 12-26) reforça a ideia da obrigação de Israel ao Deus do concerto, que
não é nada menos que o Senhor.

(5) O uso predominante do Senhor ou uma de suas combinações na seção
de sanção (98 entre 116 nomes divinos) apóia o conceito do Soberano, que con-
cede bênçãos e inflige julgamentos como o Fazedor do concerto.

Elohim. O segundo nome principal referindo-se a Deus em Deuteronô-
mio, Elohim, com suas formas relacionadas, ocorre 38 vezes. Aparece sozinho
23 vezes (cinco no prólogo, seis na seção de estipulação, oito na seção de sanção
e quatro na seção de poesia). El consta 12 vezes (três no prólogo, quatro na
seção de estipulação, cinco na seção de poesia), Elyon uma vez (na seção de po-
esia) e Eloah duas vezes (ambas na seção de poesia). A palavra hebraica ’elohim,
como termo genérico para referir-se a “deuses”, é atestada 37 vezes (uma vez no
prólogo, 22 vezes na seção de estipulação, dez vezes na seção de sanção e quatro
vezes na seção de poesia). Podemos fazer pelo menos quatro observações sobre
estes dados: 

(1) Há uma falta de revelação criativa/cósmica, uma revelação normal-
mente ligada ao nome divino El/Elohim, exceto nas seções teofânicas, onde se
espera que ocorra transcendência e esta seja enfatizada.

(2) Encontramos formas raras (El, Elyon, Eloah) principalmente na seção
de poesia (oito das 15 usadas); a única exceção é El e esta ocorre somente na
seção de poesia de Deuteronômio 1 a 11.

(3) As referências a deuses pagãos estão principalmente nas seções de es-
tipulação e sanção (32 entre as 37 ocorrências), onde o Senhor é comparado e
contrastado com outros deuses alternativos.

(4) A distribuição igual de Elohim e Senhor (12 e 16 usos, respectivamen-
te) na seção de poesia é por causa da qualidade mais transcendente da poesia e
sua atenção a temas que transcendem o concerto e são universais.

A Pessoa do Senhor. A auto-revelação de Deus também se expressa em de-
clarações pertinentes à sua Pessoa, quer dizer, à sua essência e ser. Consideran-
do que o testemunho bíblico em todos os lugares atesta para a sua diferença e
distância radical de todas as outras coisas, a auto-revelação divina tem de assu-
mir formas antropomorfas e antropopáticas. Deuteronômio alude à mão (Dt
2.15; 3.24; 4.34; 7.19; 11.2; 26.8; 33.11; 34.12) e braço de Deus (4.34; 5.15;
7.19; 11.2; 26.8) como expressões do seu poder. Os olhos (11.12; 12.28; 13.18;
32.10) representam a sua onisciência e atenção constante, ao passo que a face
(5.4; 31.18; 33.20; 34.10) e a boca indicam a comunicação da sua glória e pa-
lavra. A “boca” do Senhor é uma metonimia para a sua palavra como revelação
proposicional (1.26,43; 8.3; 9.23; 17.6,10,11; 19.15; 21.17; 34.4).

Em termos surpreendentemente humanos, o livro fala que o Senhor escre-
ve (10.4), anda (23.14) e cavalga (33.26). Nenhuma outra nação tem um deus
tão próximo (4.7,39; 31.8), um deus que dialoga com Moisés e Israel (9.12-24)
e anda pelo acampamento de Israel (23.14), e é, ao mesmo tempo, tão inteira-
mente transcendente (4.12,35,36,39; 5.4,22-26; 7.21; 10.17; 28.58) que não
pode e não deve ser representado iconicamente (4.12,15), mas unicamente pelo
seu nome (12.5,12,21; 14.23,25; 16.2,6,11; 26.2). Ele é o único Deus, o Incom-
parável (3.24; 4.35,39; 5.7; 6.4,15; 32.39; 33.26), que é soberano (10.17,18; e eterno (30.20; 32.40; 33.27). Nos mais calorosos termos humanos, o
Senhor é um Pai para o seu povo (14.1; 32.5,6).

Os atributos e caráter do Senhor. A auto-revelação divina se manifes-
ta primeiro na panoplia completa dos atributos e caráter do Senhor. Ele é
um Deus gracioso, que faz promessas incondicionais aos pais e a Israel
(Dt 1.8,11; 3.18,20-21; 4.31; 6.10; 7.8; 9.5,27,28; 10.15; 11.9,21; 28.9;
29.13) e que continua oferecendo bênçãos ao seu povo no presente e no fu-
turo (1.10,20,21,25,35; 2.7; 7.13-16; 8.10,18; 10.22; 11.14-17; 12.1,21; . Particularmente notáveis são as ocorrências de hesed neste aspecto,
pois este termo distintivo referente ao concerto certifica a confiabilidade do 
Senhor em relação ao concerto, pois Ele graciosamente se obriga aos seus es-
colhidos (5.10; 7.9,12; 33.8). 

Outro dos atributos de Deus particularmente pertinentes a Deuteronô-
mio como texto do concerto é o amor. Vemos isto no afeto paternal de Deus por
Israel (Dt 1.31), mas é especialmente usado como terminus technicus (termo
técnico) para descrever o Senhor como o Fazedor do concerto (4.37; 7.7,8,13;
13.18; 23.5; 30.5; 33.12).  O seu amor e a eleição de Israel são uma e a mesma
coisa. Ele escolheu este povo para ser a sua propriedade especial, não porque
eles eram grandes ou poderosos — pois não eram nada disso — mas porque Ele
os amou (7.7,8). Quer dizer, a escolha e o amor são mutuamente definidos, e
resultam em salvação e concerto.

Na qualidade de Iniciador do concerto, Deus é fiel ao compromisso (Dt
7.9,12; 31.6,8; 32.4), poderoso para defender o concerto e o povo (4.34,37;
5.15; 6.21,22; 7.19) e absolutamente santo (5.11), glorioso (5.24,26; 28.58)
e reto em todos os seus caminhos (32.4). Ele é íntegro e justo (4.8; 10.17,18; nos procedimentos com Israel, mas é também um Deus ciumento, que
não pode e não tolera submissões competidoras (4.24; 5.9; 6.15; 13.2-10; 29.20;
33.16,21). Se o povo andar em desobediência e seguir outros deuses ou de ou-
tra forma violar os mandatos do concerto com o Senhor, o povo será visitado
pela ira e julgamento divino (1.37; 3.26; 4.21,25; 6.15; 7.4; 9.18-20,22; 11.17;
13.17; 29.20,23,25,27,28; 31.29; 32.21,22). O arrependimento do povo é en-
contrado pela misericórdia absoluta de Deus (4.31; 13.17; 30.3).

A função do Senhor. O segundo e talvez mais claramente percebido e com-
preendido modo da auto-revelação de Deus em Deuteronômio é a sua atividade
histórica e supra-histórica. Levando em conta a estrutura e teor do concerto ex-
posto em Deuteronômio, a função dominante (e talvez abrangente) do Senhor
é a de Senhor soberano do universo, que escolhe fazer concerto com Israel a fim
de executar o seu plano para o mundo. Dada esta suposição, uma suposição
que uma abordagem teológica analítica sustenta, é metodologicamente apro-
priado virmos que a atividade e relações divinas específicas em Deuteronômio
constituem-se de elementos do exercício da suserania de Deus.

A revelação do Senhor conforme vemos na maneira de sua expressão na
discussão prévia e em termos dos nomes e epítetos, pessoa e atributos divinos,
tem de, necessariamente, encontrar eco e até coincidir com a revelação escla-
recida pelo seu papel como soberano. Mas a abordagem que apresentaremos
a seguir ressaltará o tema do concerto em Deuteronômio e, de fato, no Pen-
tateuco, contribuindo esperançosamente para compreendermos a revelação
que Deus faz de si mesmo no próprio contexto hermenêutico da relação do
concerto.

Criador. Claro que a obra como Criador é fundamental aos atos de Deus
na história. Embora em outros lugares este seja um tema bíblico importante, só
Deuteronômio 4.32 trata-o claramente em todo o corpo do texto do concerto
sob revisão aqui. Mesmo aqui é quase incidental, pois o ponto a que se quer
chegar é que desde a criação não havia precedente histórico a Deus ter falado e
resgatado um povo como Ele fez com Israel. Logicamente a ênfase não está no
concerto universal com todo o gênero humano por meio do qual Deus o desig-
nou para assumir o domínio sobre todas as coisas criadas. A ênfase em Deute-
ronômio está no concerto com Israel pelo qual esta nação, chamada de entre as
nações existentes, dê testemunho do Deus Criador, cuja obra como Criador é
pressuposta. A chamada para Israel não é para encher a terra criada, mas para
ocupar uma terra. O papel do Senhor aqui não é de Criador, mas de Redentor
e Iniciador do concerto. 

Redentor. Muitas passagens deixam clara a função de Deus como Reden-
tor (Dt 5.6,15; 6.12,21-23; 7.8; 8.14; 9.26,29; 13.5,10; 15.15; 16.1; 24.18; . Foi só com base em seu amor que Ele derrotou a escravatura egípcia,
livrou, contra todas as possibilidades inimagináveis, o filho Israel e levou o povo
ao ponto em que eles poderiam considerar o convite do concerto com todas as
suas promessas e expectativas. Estes foram atos poderosos que ocorreram na
história, atos tão monumentais e humanamente inexplicáveis que o mundo tem
de ver neles que o Deus de Israel realmente era inigualável. A obra de redenção
era uma ordem de eventos que testemunhavam da soberania do Senhor sobre
toda a criação e dos propósitos graciosos em chamar um povo que seria um
canal para a obra contínua dEle de redenção em escala universal.

O objetivo imediato do ato redentor era colocar o povo redimido em co-
munhão de concerto com o Senhor. O Senhor é o Deus do concerto, que iniciou
esta relação especial e que a fez acontecer em um evento histórico e concreto.
E não foi uma ideia que surgiu posteriormente, uma mera sequência lógica ao
êxodo, pois o Senhor prometera aos pais de Israel que Ele chamaria e separaria
a semente deles, os salvaria com poder grandioso e os levaria para si como pro-
priedade especial. De fato, Deuteronômio em todos lugares declara o concerto
sinaítico e deuteronômico e seus benefícios exatamente nas promessas aos pa-
triarcas (1.8,11,21,35; 6.3,10,19; 7.8,12; 8.18; 9.5,27; 11.9; 19.8; 26.3; 29.13;
30.20; 34.4).

Do ponto de observação histórico e geográfico nas planícies de Moabe,
Moisés recordou 38 anos atrás até ao presente momento, quando o Senhor efe-
tuara o concerto que agora eles tinham de ratificar. No encontro no monte
Sinai, Ele lhes dera os Dez Mandamentos como o centro vital da relação do
concerto (Dt 4.13), uma relação fundamentada na graça redentora (4.20,34) e
na eleição (7.6-8; 10.15; 32.9-13).

No contexto da renovação do concerto, que é a essência da mensagem
deuteronômica, o benefício mais óbvio do concerto para a assembléia em Sitim
foi a conquista, a ocupação e a colonização da terra do outro lado do rio Jordão,
a terra de Canaã. Embora houvesse muitas outras promessas ligadas ao concer-
to, tanto na promessa patriarcal quanto na confirmação sinaitica, nada avulta
maior em Deuteronômio do que a terra.  Por mais de 400 anos, os israelitas
foram estrangeiros no Egito hostil e, desde o êxodo, foram nômades sem raízes
no deserto do Sinai. Não admira que a expectativa do assentamento permanen-
te na sua própria terra fosse um tema tão dominante no discurso de despedida
de Moisés para Israel. Tendo sido constituídos como nação com lei e adoração
relativa a culto, tudo que lhes faltava era um território no qual pudessem vi-
venciar diante de todas as nações o propósito para o qual eles foram chamados
e comissionados. Agora, essa terra estava diante deles como a peça final no
mosaico dos propósitos do concerto de Deus (Dt 1.8,20,21,39; 2.24,29,31;
3.18,20; 11.24,25,31; 12.1,10; 13.12; 15.7; 17.14; 18.9; 19.2,3,7,10; 20.16;
21.23; 24.4; 25.15,19; 32.49,52).

A terra da promessa só seria ganha pela conquista, pois os reinos de Canaã,
como todos os reinos da terra, eram antitéticos aos propósitos do Senhor, e na
pecaminosidade desses reinos eles recusaram reconhecer a soberania divina so-
bre eles. A hostilidade desses povos ao Senhor se estenderia obviamente a Israel,
o povo-servo, de forma que a apropriação de Israel da terra da promessa — a
terra que esses inimigos ocupavam como invasores ilegítimos — só se daria por
luta e guerra, um conflito para o qual Israel estava mal equipado para empre-
ender.

A terra da promessa não era, afinal de contas, a terra de Israel, mas do
Senhor. Como já comentado, Canaã compendiava de modo microcòsmico a
terra inteira que Deus criara como o reino do seu domínio no e pelo gênero
humano. O fracasso de o homem ser a imagem de Deus resultara no confisco
da regência terrena e histórica, uma exclusão de autoridade que continuará até
que “os reinos do mundo [venham] a ser de nosso Senhor e do seu Cristo” (Ap
11.15). Israel foi eleito para demonstrar historicamente como tinha de ser o
domínio de Deus na terra, e a terra de Canaã foi escolhida como a arena na qual
o mundo teria um vislumbre dessa soberania em ação. Sua conquista e ocupação
serviriam como protótipo da conquista e ocupação universal, que são um tema
importante da mensagem escatològica dos profetas.

Se Canaã fosse realmente “a terra de Deus”, então ninguém mais, senão
Deus, poderia desapropriar os ocupantes ilegais e permitir que o seu povo-servo
fincasse raízes nessa terra. Isto dá origem à visão de que a guerra da conquista 
não era a guerra de Israel, mas de Deus.  Não foi Moisés ou Josué ou outro
líder humano que tornaria o sucesso possível, mas só o Senhor, porque Ele é
o guerreiro que sai para batalhar e realizar as façanhas em prol do seu povo,
façanhas que resultam em vitória e domínio. Deuteronômio está repleto de re-
ferências ao Senhor como guerreiro e conquistador, aquEle que luta as batalhas
de Israel a seu favor (Dt 1.4,30,42; 2.15,21,22,33,36; 3.2,3,21,22; 4.3; 5.15;
7.1,2,16,18,22-24; 9.3-5; 11.23; 12.29; 18.12; 19.1; 20.4,13; 28.7; 31.3-6,8).
Guerreiro. O papel de guerreiro divino desempenhado pelo Senhor leva-
nos a considerar outros modos nos quais Ele declarou e demonstrou a sua be-
neficência graciosa em prol do seu povo Israel. A promessa e conquista da terra
foi realmente um importante componente do concerto e suas bênçãos, mas de
modo nenhum era tudo o que Deus pretendia. Ele proveria abundância conti-
nuada na terra (Dt 6.10,11; 7.13-15; 8.7-10; 11.14,15; 14.29; 15.4,6; 16.15; 6,11,12; 29.5,6; 33.24) da mesma maneira que Ele fizera no passado (2.7; . Isto incluiria colheitas abundantes, chuvas copiosas, saúde boa e vida
longa. Mais importante que isso, Israel veria a continuação da promessa através
de uma linhagem de posteridade interminável (1.11; 7.13,14; 10.22; 28.4).
Embora estas últimas promessas falassem claramente em termos físicos, as

maiores bênçãos do Senhor estariam no reino espiritual. Ele mostraria o seu he-
sed, o seu compromisso do concerto, para as gerações ainda por nascer (Dt 5.9).
Os dias seriam imensuravelmente abençoados na terra conforme os israelitas
correspondessem em obediência (5.16,33; 6.2,3; 11.26,27). Seriam colocados
acima de todas as outras nações na Terra (28.1,2,13). Mesmo que fossem deso-
bedientes e desmerecedores do favor divino, o Senhor os perdoaria e os restau-
raria a um lugar de responsabilidade do concerto (30.3-10; 32.43).

Promotor Público e Juiz. O lado inverso da função do Senhor como Re-
dentor e Guerreiro a favor de Israel é promotor público e juiz. Como já decla-
ramos, Israel poderia (e iria) apartar-se dos privilégios do concerto. Por isso,
tinha de ser disciplinado e castigado. A comunhão do concerto oferecia oportu-
nidades e benefícios incalculáveis para Israel, mas também exigia obediência a
seus mandatos. Ser o vassalo do Senhor era um perspectiva impressionante, pois
acarretava na recompensa mais alta ou na condenação mais séria.

O Senhor se revelou como juiz (Dt 1.17), que no passado já mostrara
desprazer aos israelitas (9.14,19,20,25,26; 11.2-6) e que nos dias vindouros cas-
tigaria a rebelião (5.9; 6.15; 7.4,10; 8.19,20; 11.17). Isto seria particularmente
evidente quando Ele os desarraigasse da terra da promessa e os espalhasse às
extremidades da Terra (4.27; 28.20-68; 29.20-28; 32.23-26). A finalidade não
era destruí-los. Havia o propósito saudável de discipliná-los até que voltassem
arrependidamente para servir o Senhor mais uma vez como povo que Ele esco-
lheu em graça incondicional.

EUGENE H. MERRILL

ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento : CPAD, 2009