29 de agosto de 2013

Gleason L. Archer - O Longo Dia de Josué (10:12-14)

O Livro de Josué registra vários milagres, mas nenhum deles
tem sido considerado tão notável e debatível como aquele que se
vincula à prolongação em vinte e quatro horas do dia no qual se
travou a batalha de Gibeom. Uma objeção tem sido levantada de
que se a terra realmente tivesse deixado de girar durante um pe-
ríodo de vinte e quatro horas, catástrofes inconcebíveis teriam
ocorrido no planeta inteiro, afetando todas as coisas na sua su-
perfície. Enquanto as pessoas que crêem na onipotência de Deus
dificilmente conceberiam que Deus não poderia ter evitado tais
desastres, interrompendo as leis físicas que poderiam ter causado
tais danos, não parece ser absolutamente necessário (na base do
texto hebraico) entender que o planeta inteiro tivesse sofrido uma
interrupção súbita da sua rotação. O versículo 13 declara que o
sol “não se apressou a pôr-se, quase por um dia inteiro”. As palavras
“não se apressou” parecem indicar um retardamento do movimen-
to a tal ponto que a rotação tivesse levado 48 horas e não 24.


Apoiando esta interpretação, pesquisas revelam que fontes egípcias, 
Chinesas e hindus conservam antigas narrativas dum dia prolon-
gado.  Black  e Harry Rimmer  relatam que certos astrônomos
chegaram à conclusão de que falta um dia inteiro em nossos cál-
culos astronômicos. Rimmer declara que o Professor Pickering do
Observatório de Harvard fixou este dia num período que coincidiria
com a época de Josué; Dr. Totten de Yale, igualmente, conforme
Ramm, CVSS 159. Ramm declara, porém, que não pôde achar qual-
quer documentação para substanciar esta notícia.

Outra possibilidade tem sido deduzida duma interpretação li-
geiramente diferente da palavra dõm, que tem sido traduzida, “de-
tém-te”. O verbo usualmente significa “calar-se”, “cessar”. Dr.
E. W. Maunders de Greenwich, e Robert Dick Wilson de Princeton
entendem que a oração de Josué seria uma petição para que o sol
cessasse de espalhar seu calor sobre suas tropas, para que pudessem
levar adiante a batalha com condições mais favoráveis. A chuva
de pedras tremendamente destrutiva que acompanhou a batalha
dá algum motivo para crer-se neste ponto de vista, que tem sido
apoiado por homens de inquestionável ortodoxia. Apesar disto, pre-
cisa ser reconhecido que o v. 13 parece indicar um prolongamento
do dia: “O sol, pois, se deteve no meio do céu (na metade do seu
percurso), e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro”.

O Comentário Bíblico do Antigo Testamento de Keil e Delitzsch
sugere que a prolongação sobrenatural do dia teria acontecido se,
para Josué e todos os israelitas, parecesse sobrenaturalmente pro-
longado, ao ponto de lhes permitir concluir nele o trabalho de dois
dias. Teria sido muito difícil para eles medir o tempo se o próprio
sol não tivesse se movimentado (isto é, se não tivesse havido ne-
nhuma rotação da terra) no ritmo normal. Acrescentam outra
possibilidade, de que Deus tivesse produzido uma prolongação
óptica da luz do sol, no sentido de refrações especiais dos raios,
tornando-a visível depois do horário do pôr do sol.

No Novo Comentário da Bíblia, (Davidson-Stibbs-Kevan), o
comentarista Hugh J. Blair sugere (pág. 265) que a oração de
Josué tenha sido proferida cedo de manhã, sendo que a lua estava
no oeste e o sol no leste. A resposta veio na forma duma chuva
de pedras que prolongou a escuridão, facilitando assim o ataque
de surpresa feito pelos israelitas. Na escuridão da tempestade, por- 
tanto, a derrota do inimigo se completou. Devemos, pois, falar da
“noite comprida” de Josué, e não do “dia comprido” de Josué. Isto,
por certo, é essencialmente o mesmo ponto de vista de Maun-
ders e Wilson. Tal interpretação não exige que a terra tivesse sido
parada na sua rotação, mas dificilmente se enquadra na declaração em 10:13,
sendo, portanto, de valor duvidoso.

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.