26 de agosto de 2013

Gleason L. Archer - A Correspondência de Tell el-Amarna

Em 1887, uma descoberta acidental levou à escavação dum
arquivo inteiro de correspondência egípcia antiga, no sítio do an-
tigo Aquetatom (Tell el-Amarna), capital antiga do rei herege,
Amenotepe IV (Aquenatom). As cartas foram escritas em placas
de barro, na escrita cuneiforme dos babilônios, que era a linguagem
internacionalmente aceita para a correspondência internacional
durante a 18 .a Dinastia dos egípcios. Um exame preliminar destas
placas convenceu C. R. Conder de que as mesmas representavam
uma versão cananita da seqüência de acontecimentos vinculados
à conquista de Canaã pelos exércitos de Josué. Em 1890 ele levou
esta correspondência à atenção do público na revista trimestral
de explorações na Palestina: Palestine Exploration Quarterly, num
artigo chamado “Notícias Monumentais das Vitórias dos Hebreus”.
No mesmo ano, H. Zimmern categoricamente afirmou que, na cor-
respondência de Amarna, temos nada menos do que um relato con-
temporâneo da invasão de Canaã, feita pelos hebreus (Zeitschrift
des deutschen Palãstinavereins). Estes primeiros investigadores in-
dicaram a freqüente ocorrência no nome “Habiru” nos comunicados

do rei ’Abdi-Hepa de Jerusalém, que relatou ao Faraó, profunda-
mente alarmado, que os invasores estavam vencendo em cada parte.
Estudos mais detalhados das placas convenceram H. Winckler que
os exércitos invasores associados com os caracteres cuneiformes
SA.GAZ eram os mesmos Habiru. Freqüentíssimas alusões a este
povo SA.GAZ se acham nos comunicados dos príncipes locais cana-
nitas até Sidom na Fenícia.

Descobertas posteriores em Mari e Nuzi, e em Babilônia tam-
bém, revelaram que os Habiru participaram na história do vale da
Mesopotâmia já no começo do segundo milênio a.C. São mencio-
nados nas inscrições sumerianas de Naram-Sin de Larsa, e nas de
Warad-Sin e Rim-Sin da dinastia elamita. Freqüentemente o nome
é precedido por um ideograma significando “guerreiro”. Textos
hititas e babilónicos antigos indicam que contingentes dos SA.GAZ
recebiam rações regulares do estado, formando guarnições reais,
e adorando a divindades invocadas em tratados entre nações. Os
textos hititas de Boghazkõi fornecem evidências que os SA.GAZ 
e os Habiru são o mesmo povo, que cada forma do nome aparece
em colunas paralelas de textos, e os deuses dos SA.GAZ são des-
critos como sendo os deuses dos Habiru. Na correspondência de
Mari aparecem como tropas mercenárias, pagas por líderes tais
como Yapah-Adad (cf.' ANET 483).

Não se sabe com certeza como se pronunciavam os caracteres
SA.GAZ, seja como Habiru ou talvez como Habbatu (“assaltante”,
“bandido”) conforme é citado nos antigos dicionários. Muitos estu-
diosos levantaram a conjectura que SA.GAZ representasse um ter-
mo descritivo mais do que o nome duma tribo específica, e que
Habiru fosse a referência a um grupo étnico definido. Outros,
porém, rejeitam um significado étnico para os Habiru, por causa
da grande diversidade de nomes atribuída a indivíduos classifica-
dos como sendo Habiri. Muitos destes nomes têm sua origem na
Babilônia Antiga, e aqueles de Nuzi são nomes semíticos acadianos,
mas os de Alalaque são não-semíticos na sua maior parte.

A luz da evidência que acima precede, pode-se, razoavelmen-
te, perguntar se os Habiri tinham sido uma raça definida, homo-
gênea, ou se o termo pertencia a grupos migratórios de povos, que
não possuíam propriedades reais, e que não eram vinculados à terra
onde habitavam, diferentemente da população estável. Podem ter
formado um. grupo semelhante aos ciganos dos tempos modernos,
cuja base racial está encoberta em mistérios, mas cuja caracte-
rística comum é que nunca habitam por muito tempo uma mesma
localidade, preferindo migrar de região em região conforme vão
surgindo meios de vida. Esta, pelo menos, é a teoria levantada por
Moshe Greenberg na sua monografia intitulada “Os Hab/piru”
(Sociedade Oriental Americana, 1955). Queria assim esclarecer
como apareceram como mercenários, empregados por governos es-
trangeiros, ou como dependentes que alugavam seus serviços como
servos ou escravos. Aparentemente, a etimologia do nome Habiru
indica o significado básico de “quem atravessa” ou “quem passa
(pela terra)”, do verbo ’ãbhar (“atravessar”).

Duvida-se, no entretanto, que o termo habiru tivesse tido a co-
notação necessária de posição social inferior. Meredith Kline (na
revista Westminster Theological Review, XIX, 1, págs. 1-24) indica
que em certo casos, como em Alalaque, os habiri- estão liderando
a administração da cidade como oficiais do governo, ou então como
maryannu (a mais alta casta de guerreiros) com seus próprios car-
ros de guerra. Faziam-se com eles tratados de paz, que não teriam 
acontecido com um populacho dependente ou servil. Kline pessoal-
mente considera os habiri como uma raça mais ou menos homo-
gênea de tribos guerreiras, que vendia seus serviços como merce-
nários, e em certos casos, (como os Godos da época posterior do
Império Romano) seus membros se fixavam em certas regiões para
serem donos de terras ou oficiais. Em certos casos, como em Ala-
laque, integravam-se culturalmente com os povos entre os quais
viviam, que até adotavam os nomes semíticos que prevaleciam
naquela localidade. Pensa-se que fossem, até certo ponto, aliados
dos governos hurrianos ou mitanianos, e, portanto, respeitados por
eles, apesar de serem temidos e evitados em regiões não hurrianas.
Kline não crê que possam ser vinculados aos hebreus israelitas,
seja étnica, religiosa ou culturalmente (obra citada, XIX, 2, págs.
170-184). Mas esta conclusão dificilmente faz justiça aos dados
das Cartas de Amama.

As descobertas de Ugarite, cidade da Fenícia do norte, tomam
evidente que os Habiru eram os mesmos que os registros egípcios
chamavam de ,Apiru. Um texto publicado por Virolleaud contém
uma lista de cidades que tinham de providenciar levas de mão-de-
obra para o rei de Ugarite; esta lista bilíngüe declara no lado aca-
diano, “Alepo dos SA.GAZ” (Hal-bi lu.mes SA.GAZ), e no lado
ugarítico “Alepo dos ’Apirim” (Hlb ,prm). Parece que, através de
modificações dialéticas, tenha sido possível pronunciar o b no meio
de Habiru ou ,Abiru como p, pois assim apareceu em ugarítico. e
também em egípcio. Decorre daí que os Habiru eram “o povo do
outro lado”, ou “migrantes”, e este nome pode ser aplicado a pes-
soas de diferente origem nacional. Só nos registros hebraicos é
que achamos o nome na sua forma ,Ibriy (ou “Hebreu”) empregado
para uma única descendência racial, a saber, os descendentes de
Abraão, “o Hebreu”. Abraão, pois, pode ter sido chamado “o Ha-
biru” pelos cananitas, por causa de seu estilo de vida e por ser es-
trangeiro; depois, seus descendentes conservaram este nome em
memória do seu antepassado, até que o nome se transformasse em
termo étnico. Tal interpretação do nome Habiru e o que parece ser
seu equivalente, SA.GAZ, deixa em aberto a possibilidade de que
vários povos não israelitas tivessem sido envolvidos nos movimentos
convulsivos da época de Josué, participando pelo menos nas invasões
das regiões do norte.

Tanto Greenberg como muitos dos seus antecessores rejeitaram
a identificação dos Habiri (ou SA.GAZ) com a invasão dos israe-
litas, tanto por causa da diversidade de nomes ocorrendo em re-
gistros mesopotâmios, como por causa dos relatos das atividades 
dos SA.GAZ na Síria e na Fenícia. A objeção baseia-se no argu-
mento que as narrativas hebraicas não mencionam operações mili-
tares tão ao norte. Respondendo, pode ser dito que nada há no Li-
vro de Josué, a desencorajar a crença de que as tribos setentrionais,
tais como Aser e Naftali, colonizando a região que se estendia até
as fronteiras da Fenícia, tivessem feito expedições contra Tiro,
Sidônia e até Biblos (cidade onde foi descoberta a maior parte da
correspondência fenícia). Josué não pretende alistar todas as ope-
rações militares nas quais as tribos individuais entraram depois
do término das grandes campanhas unidas. Esta não é, portanto,
uma objeção decisiva contra a identificação dos Habiri com os
hebreus.

Outras objeções levantadas por Greenberg incluem a conside-
ração que, segundo a correspondência de Amama, era possível
para indivíduos ou cidades inteiras transformaram-se em Habiri
ao abandonar o lado dos egípcios. Por exemplo, na carta que re-
cebe o número 185 na edição Mercer (Knudtzon: EA 111:44),
Rib-Addi declara que os habitantes de Laquis “se transformaram
em Habiri”. Até um egípcio, como Amanhatbi (Amenotepe) de
Tushulti conseguiu escapar à punição pelos seus atos maus ao fugir
para os SA.GAZ (EA 95:63). Mas deve ser indicado que estas ex-
pressões não significam que foi atingida a plena cidadania por assim dizer, nas fileiras dos Habiri, mas simplesmente indicariam
uma mudança de lealdade, ou a formação duma nova aliança. Josué
registra como uma liga de gibeonitas ou heveus fez um tratado de
paz com os israelitas vitoriosos, apesar de o terem feito através de
estratagema. Não pode haver dúvidas de que outras comunidades
cananitas tivessem feito as pazes com os irresistíveis invasores a
fim de evitar a destruição certa. Os principados cananitas que
conservaram em efeito a resistência contra Israel ficariam por
certo amargamente ressentidos com os outros que passaram para o
lado dos israelitas, e nada mais natural do que chamar isto de
“tornar-se Habiru”.

Greenberg também observa que os SA.GAZ parecem ter ope-
rado em grupos relativamente pequenos, sem mútuos vínculos, aqui
e ali pela terra de Canaã, não havendo no caso nada semelhante à
narrativa do Livro de Josué, onde se trata de grandes concentra-
ções de tropas, tiradas de todas as doze tribos, operando sob um
comando único. Mas, resta dizer duas coisas acerca desta obser-
vação. Em primeiro lugar, estas cartas podem ter surgido de pe-
ríodos de tempo consideravelmente separados entre si (sendo que
quase nenhuma delas contém qualquer data) desde 1400 a.C. até a
última parte do reinado de Aquenatão. Aquelas referências às
atividades dos Habiri que parecem indicar a operação de grupos
menores de soldados podem ter sido escritas no período posterior,
depois de terem sido completadas as campanhas principais. Em
segundo lugar, deve ser observado que algumas das cartas dão
uma impressão bem nítida que os Habiri tivessem entrado na terra
em grandes números, subjugando enormes áreas ao mesmo tempo.
Um exemplo digno de nota, deste último estilo, é EA N.° 286
de Abdi-Heba: “Tão certamente como vive o rei, meu senhor,
quando saem os comissários, direi: ‘Perdidas são as terras do rei!
Não estais me ouvindo? Todos os governadores estão perdidos; não
sobra um único governador para o rei, meu senhor!’ Que o rei
preste atenção aos arqueiros, e que o rei, meu senhor, mande tropas
de arqueiros, pois não sobram terras ao rei! Os Habiri estão fa-
zendo pilhagem em todas as terras do rei. Se chegarem arqueiros
ainda este ano, as terras do rei, meu senhor, permanecerão intatas,
mas se não há arqueiros, as terras do rei, meu senhor, serão per-
didas!” Semelhantemente, em EA N.° 288, implora, “Cuide o rei
da sua terra. A terra do rei será perdida. Será totalmente arran-
cada de mim; há hostilidade contra mim. Quanto às terras de
Sheeri (Seir) e até Ginti-kirmal (o Monte Carmelo) não há paz 
em todas as regiões, e contra mim há hostilidade”. Esta carta
obviamente refere-se à segunda fase da campanha de Josué, quan-
do estava subjugando a porção central da Palestina (embora que,
naturalmente, nunca tivesse ele tomado a própria cidade de Je-
rusalém) .

Muitos excelentes estudiosos que examinaram a totalidade da
evidência sentem uma certeza que os Habiri da correspondência
de Amama devem ser identificados com os hebreus dos exércitos
de Josué. Edward Meyer em Geschichte des Altertums (“História
da Antiguidade”) — 1928, declara: “A identidade substancial dos
hebreus ou israelitas com aquela parte dos Habiri mencionada nas
placas de Amama, que estavam invadindo a Palestina no período de
Amama é fora de dúvida”. Como prova, indicou que aquelas ci-
dades cujos governantes mantinham correspondência com o Egito,
segundo os arquivos de Amama, eram Megido, Asquelom, Aco,
Gezer e Jerusalém, precisamente aquelas cidades que os hebreus
só conquistaram numa época posterior. E, conforme F. Böhl indi-
cou em Kanaanäer und Hebräer (“Cananitas e Hebreus” — 1911,
p. 93), aquelas cidades que já tinham caído perante o avanço dos
israelitas, ou que tinham feito uma aliança com as forças de Josué,
não são representadas por nenhuma comunicação aos egípcios —
cidades tais como Jericó, Beer-Seba, Betei, Gibeom e Hebrom. No
que diz respeito à celebração da aliança nacional com Deus no
Monte Ebal e no Monte Gerizim, perto de Siquém (cf. Js 8:30-35),
é altamente significativo que Abdi-Hepa de Jerusalém tivesse acusa-
do a cidade-estado de Siquém de desertar, aderindo à causa dos
׳ Habiru (T.A. 289): “Ou será que faremos como Labayu, que deu a
terra de Siquém aos Habiru?” Se tivesse havido algum entendi-
mento informal entre Josué e os cidadãos de Siquém, não haveria
qualquer dificuldade em fazer uma reunião religiosa perto daquela
cidade poderosa.

Levanta-se a objeção de que há poucos nomes que aparecem nas
cartas de Amama que também podem ser descobertos no texto do
Livro de Josué. Excetuando-se Jafia (ou Yãpia), rei deLaquis, ne-
nhum nome dos príncipes parece coincidir. Tentativas engenhosas
têm sido feitas para relacionar o nome Abdi-Heba (ou Abdu-Heba)
com Adonizedeque,  mas estas envolvem dificuldades sérias. Do
outro lado, não é de se estranhar esta falta de correspondência entre
os nomes, devido à situação tão turbulenta da época, quando mem- 
bros de dinastias locais eram depostos do trono ou assassinados em
rápida sucessão. A maioria dos nomes reais citados por Josué per-
tencem às fases anteriores da Conquista, e pode se dar o caso da
maioria das cartas de Amarna pertencerem a um período posterior.
Neste assunto, pode ser mencionado que uma das cartas, EA 256
de Mut-Ba’lu de Megido, sugere ao regente egípcio Yanhamu que
este está suficientemente em bons termos com Benenima (também
lido como Benilima) e Yashuya para perguntar-lhe sobre o para-
deiro do príncipe de‘ Pela, que desapareceu não se sabe para onde.
Surge a pergunta sobre a equivalência de Benenima a Benjamim,
e de Yashuya a Josué. É possível que as observações sejam irônicas
e retóricas, dando a entender que os invasores hebreus tivessem
tido algo a ver com o desaparecimento de Ayab de Pela. Sem maio-
res conhecimentos das circunstâncias é impossível decidir esta ques-
tão de um jeito ou de outro.

Deve ser dita aqui uma palavra sobre as seis ocorrências da
palavra ’Apiru (ou segundo JA. Wilson, ’Eperu) que atualmente
possuímos nos registros do Império Egípcio entre 1300 e 1150 a.C.
Em três casos os ,Apiru aparecem como operários simples nas pe-
dreiras; uma vez aparecem entre os bens dum templo (numa lista
de servos do templo em Hierápolis durante o reinado de Ramsés
III), e uma vez como trabalhadores num estábulo. Wilson  chega
à conclusão que o termo se aplicava a estrangeiros trabalhando
para os egípcios, ocupando o nível social de escravos ou servos.
Há, porém, uma outra referência a eles, como sendo tropas mer-
cenárias estrangeiras. Devemos então entender o termo ,Apiru
no sentido mais amplo, não-étnico, de Habiru, assim como é o
caso dos registros cuneiformes antes da época da correspondência
de Amarna.

A primeira referência acha-se no túmulo de Puyemrê, do reina-
do de Tutmose III. Depois, há o túmulo de Antefe, do mesmo reina-
do; então, o nome existe numa lista de pilhagem na estela de Mênfis
do Faraó Amenotepe II (ANET 247), inscrita após a conclusão da
sua segunda campanha asiática (que alista um item de 3.600
’Apiru levados cativos). Depois, Seti I na esteia menor de Bete-Seã
(cf. ANET 255) registra um choque com os ’Apiru de Monte Ya-
rumtu (isto é, Jarmute). Uma narrativa da conquista de Jopé,
pertencendo à 19.a Dinastia, no reinado de Tutmose III, refere-se
aos ,Apiru como sendo ladrões de cavalos em potencial (ANET 22). 
Entre estas ofertas dedicadas ao templo de Amom em Heliópolis
por Ramsés III consta um grupo de escravos descritos como sendo
dos ’Apiru (ANET 261). Ramsés IV menciona 800 ,Apiru entre os
arqueiros dos ,Antiu — neste caso seriam aparentemente mer-
cenários.

Um exame das referências egípcias em conjunto mostra facil-
mente que não se pode tirar deduções em favor duma data recuada,
nem duma data avançada, para o Êxodo. Os ,Apiru da época de
Tutmose III podem muito bem ter sido os israelitas; os que são
mencionados por Ramsés II, Ramsés III e Ramsés IV podem ter
sido hebreus que não saíram durante o Êxodo, ou que foram cap-
turados pelas incursões militares egípcias durante a época dos Jui-
zes. Quanto aos ,Apiru com os quais Amenotepe II lutou na Palesti-
na central, não podem ter sido os israelitas propriamente ditos
(porque naquela época ainda estavam no deserto de Sinai), mas
seriam bandidos nômades que foram chamados Habiru, no sentido
mais amplo e geral do termo.

Concluindo, podemos declarar que, embora haja muitos pro-
blemas e detalhes individuais a serem esclarecidos, há suficiente
concordância entre a data da correspondência de Amama e a nar-
rativa do Livro de Josué para estabelecer uma estreita conexão
entre as duas.

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.