10 de julho de 2013

Gleason L. Archer - O Significado Espiritual do Tabernáculo

Uma porção considerável do Livro do Êxodo (caps. 25-28, 30,
35-40) é dedicada ao plano do Tabernáculo, e aos vários artigos
que ali havia, segundo a descrição. Cada artigo possuía um signi-
ficado típico relacionado com a obra redentora do Senhor Jesus
Cristo. Começando com as partes exteriores, e procedendo até o
santuário interior, achamos os seguintes detalhes significantes:

1) As cortinas exteriores do pátio (hãsêr) cercavam um perímetro
de 50 côvados por 100. Este pátio foi feito para separar Israel como
santa possessão de Deus, conservando a nação separada dos gentios.


O mesmo princípio se observava rigorosamente nos templos que
posteriormente foram edificados por Salomão e por Herodes (no
qual se achou uma inscrição em grego, ameaçando com a pena de
morte qualquer gentio que ousasse penetrar além da barreira,
para entrar no pátio interior). 2) O próprio Tabernáculo era uma
tenda grande (’õhel) medindo 10 por 30 côvados (o côvado tinha
cerca de 46 cm) dividida por cortinas em duas seções, o santuário e
o Santo dos Santos. 3) No pátio do lado de fora do tabernáculo,
situado na frente da porta acortinada (mãsãk) ou “véu exterior”,
havia o “grande altar”, ou altar de holocaustos (mizbah ,õlah), re-
vestido de bronze, no qual eram apresentadas todas as ofertas, tanto
os sacrifícios de sangue (zebhãhím) como os de cereais (minhah).

4) Entre o altar de bronze e a cortina de entrada havia a bacia
(kiyyõr), uma pia enorme para purificação, feita de bronze, na qual
os sacerdotes tinham que lavar as mãos e os pés antes de entrar no
santuário. Provavelmente tipificava o poder purificador do sangue
de Cristo, simbolizado e aplicado aos crentes através do batismo.

O tabernáculo tinha dois compartimentos. 5) O santuário
(qõdesh) medindo 20 côvados por 10, continha três objetos sagra-
dos: 6) Ao lado norte, ou da direita, havia a mesa dos pães da
proposição (shulhãn welehem pãním = “mesa e pão da Presença”),
na qual se colocava doze pães frescos de farinha fina cada sábado. 
Sem dúvida, simbolizava Cristo, o Pão da Vida, e igualmente as
doze tribos de Israel, o povo de Deus apresentado em sacrifício vivo.
7) No lado sul, ou da esquerda, havia o candeeiro (menõrah) com
suas sete lâmpadas de azeite, tipificando Cristo, a Luz do Mundo,
que, pelo Espírito Santo, leva adiante a obra perfeita de Deus (sim-
bolizada pelo número sete), capacitando Seu povo a brilhar no
mundo com a luz do testemunho (cf. Zacarias 4). 8) Ao ocidente,
o pequeno altar de ouro, o altar do incenso (mizbah miqtãr), em-
pregado exclusivamente para oferecer incenso perante a cortina
interior (pãrõket) que separava o Santo dos Santos do santuário.
Este altar de ouro provavelmente tipificava a oração eficaz de
Cristo o Intercessor, simbolizando também as orações dos santos
(cf. Apocalipse 8:3). 9) A cortina interior (pãrõket) tipificava o
véu da carne de Cristo (cf. Hebreus 10:20) que tinha que ser
rasgado (como de fato aconteceu na hora da morte de Cristo, Mt
27:51) para assim ser removida a barreira que separava Deus do
Seu povo.

10) Dentro do Santo dos Santos (qõdesh qodãshím), medin-
do 10 côvados por 10, havia somente: 11) a arca da aliança (,aron
habberít), um tipo de cofre de 2,5 x 1,5 côvados, com uma tampa
de ouro maciço, lavrada na forma de dois querubins, um de frente
para o outro, com as asas estendidas e olhando para baixo. 12) A
tampa chamava-se “propiciatório” (kappõret, da palavra kippêr,
“propiciar”), e nela o sumo sacerdote aspergia o sangue do sacri-
fício pelos pecados no Dia da Expiação, tipificando assim a expia-
ção operada por Cristo (Hb 9:12) na própria presença de Deus.
A arca, portanto, representava a presença de Deus no meio do
Seu povo; era o escabelo dos Seus pés enquanto ficava “entroni-
zado entre os querubins” (Êxodo 25:22; SI 80:1). O vaso de ouro
cheio de maná, e a vara de Arão que floresceu, foram colocados
perante a arca (Êx 16:33; Nm 17:10). Parece que, posteriormente,
foram colocados dentro da arca (Hb 9:4). Mas o que havia por
certo dentro da Arca eram as tábuas com os Dez Mandamentos,
simbolizando a aliança e a Lei. Eram as únicas coisas que havia
dentro da arca até a época de Samuel (1 Sm 6:19), ou, pelo menos,
até a época de Salomão (1 Rs 8:9). 

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.