8 de julho de 2013

Eugene H. Merril - Um teologia do Gênesis - Gênesis em retrospecto teológico

O livro de Gênesis, escrito presumivelmente na véspera de Israel conquis-
tar Canaã, serve pelo menos para dois propósitos canônicos e teológicos claros.
Primeiro, satisfaz a necessidade imediata de Israel conhecer as suas origens,
propósito, prospectos e destino. Estas questões são explícita ou implicitamente
tratadas de modo tal, a Israel não ter dúvida de que veio à existência em cum-
primento de propósito e promessa divina. Mas esse propósito e promessa são
dependentes de um desígnio mais completo, um plano universal do qual Israel
não é o objetivo, mas o meio, a saber, a criação e dominação da terra e de todas

as outras coisas por Deus através da sua imagem, a raça humana. Assim, Israel
tornou-se muito importante para os propósitos de Deus, mas não de extensão
igual a esses propósitos. O homem, tendo pecado e então perdido os privilégios 
como regente, foi levado de volta à comunhão com Deus pela graça soberana,
de forma que ele pudesse retomar os privilégios exarados no mandato adâmico.
Nessa condição, com suas responsabilidades e imperfeições, a comunidade res-
tante de crentes modelaria o significado de domínio, proclamaria e mediaria as
bênçãos salvadoras do Senhor para o mundo. A semente patriarcal, o próprio
Israel, era esse remanescente, uma nação que existiria como microcosmo do
Reino de Deus e o veículo pelo qual o rei messiânico viria para reinar sobre toda
a criação (Gn 49.10).