7 de junho de 2013

Roland de Vaux - Agrupamento, divisão e desaparecimento das tribos

As doze tribos de Israel formam uma confederação e conhecem-se agru¬pamentos semelhantes de tribos árabes. Às vezes se trata somente de peque¬nas tribos que se unem para formar uma frente comum contra vizinhos pode¬rosos, assim os agêdât, os “confederados” do médio Eufrates, mencionados anteriormente. Outras vezes trata-se de tribos que têm certa origem comum, que provêm da divisão de uma tribo que se tornara muito numerosa. As novas unidades adquirem então uma autonomia de alcance variável. Conservam, em todo caso, o sentimento de seu parentesco e podem unir-se para realizar obras comuns, migrações ou guerras, e, nesse caso, reconhecem um chefe obedeci¬do por todos os grupos ou por parte deles. Esse estado social pode ser estuda¬do, na época moderna, em duas grandes federações rivais do deserto da Síria, os 'Aneze e os shammar. Israel conheceu uma situação
análoga durante sua estada no deserto e durante a conquista de Canaã, situação que se prolongou após a sedentarização durante o período dos juizes. Comparou-se o sistema das doze tribos às anfictionias, que agrupavam ao redor de um santuário um certo número de cidades gregas. Esta comparação é interessante mas não deve ser levada muito longe, já que as doze tribos não eram regidas, como as anfictionias, por um órgão permanente, e o sistema não tinha a mesma eficá¬cia política. Sua importância era, antes de mais nada, religiosa: juntamente com o sentimento de seu parentesco, a fé comum em Iahvé, que todas haviam aceitado seguir, Js 24, era o vínculo que unia as tribos ao redor do santuário da arca, onde se encontravam por ocasião das grandes festas.

Pode suceder também que um grupo, muito numeroso para poder convi¬ver e utilizar os mesmos pastos, se divida e forme dois grupos que vivem em plena independência. Desta maneira se separaram Abraão e Ló, Gn 13.5-13. Contudo, os deveres de parentesco subsistem e, quando Ló é levado cativo pelos quatro reis vitoriosos, Abraão corre em seu auxílio, Gn 14.12-16.

Uma tribo, em vez de crescer, pode simplesmente ir diminuindo e por fim desaparecer. Assim se enfraqueceu Rúben, comparar Gn 49.3,4 e Dt 33.6. Assim desaparece a tribo profana de Levi, Gn 34.25-30; 49.5-7, substituída pela tribo sacerdotal, “espalhada em Israel”, cf. Gn 49.7. Do mesmo modo desaparece também Simeão, Gn 34.25-30; 49.5-7, cujos remanescentes foram logo absorvidos por Judá, Js 19.1-9; Jz 1.3s, e que tampouco é nomeada nas bênçãos de Moisés, Dt 33, provavelmente anteriores ao reino de Davi.

VAUX, Roland de. Instituições de Israel no Antigo Testamento. Editora Teológica, 2003.