24 de junho de 2013

Gleason L. Archer - O Período da Permanência no Egito

Quanto ao período da permanência dos israelitas no Egito, a
declaração clara do texto hebraico de Êxodo 12:40 é que se estendeu
durante um período de 430 anos, desde a migração da família de
Jacó até ao Êxodo propriamente dito. Mas sendo que a Septuaginta
aqui declara que os 430 anos incluem a permanência de Abraão e
seus descendentes em Canaã, e não somente no Egito, alguns têm
preferido esta variação da leitura do Texto Massorético. Isto daria
um total de cerca de 215 anos para a permanência no Egito, colo-
cando a carreira de José bem no meio do período dos hicsos. Mas
há várias considerações que demonstram a alta improbabilidade
do intervalo de 215 anos.

Em primeiro lugar, Abraão recebeu uma profecia, em Gênesis
15:16, que depois de serem oprimidos num país estranho, seus

descendentes voltariam a Canaã “na quarta geração”. Isto depois
do versículo 13, que declara que a posteridade de Abraão seria re-
duzida à escravidão e afligida por quatrocentos anos em terra
alheia. É evidente que no caso de Abraão, a geração era compu-
tada em cem anos, o que é apropriado tendo em vista que Abraão
tinha exatamente cem anos quando veio a ser pai de Isaque. Pelo
menos de quatro séculos seria o período da permanência dos israe-
litas na terra estrangeira, e não um mero período de 215 anos.
Em segundo lugar, embora muitas das linhagens familiares de
figuras proeminentes na geração do Êxodo estejam indicadas com
apenas três ou quatro elos (e.g. Levi, Coate, Anrã e Moisés, segun-
do Êx 6:16-20), há algumas que alistam até dez gerações. Em I
Crônicas 7:25 há nada menos do que nove ou dez gerações
alistadas entre José e Josué (Efraim — Refa — Resefe — Tela —
Taã — Ladã — Amiúde — Elisama — Num — Josué). Dificil-
mente se poderia reconciliar dez gerações com somente 215 anos
(especialmente quando se leva em conta as vidas mais longas dos
israelitas antes do Êxodo), mas se encaixam plausivelmente num
intervalo de 430 anos. 

Em terceiro lugar, a multiplicação da família imigrante de
Jacó, de setenta ou setenta e cinco pessoas,  até chegar a ser uma
nação de dois milhões de pessoas (calculando pelos 603.550 homens
armados mencionados em Nm 2:32), milita contra uma permanên-
cia de apenas 215 anos. Se tivessem sido apenas quatro gerações, 
então esta multiplicação era deveras astronômica. Mesmo se sete
gerações estivessem enquadradas no curto período de 215 anos, isto
significaria uma média de quatro filhos sobreviventes por pai. Mas
se a permanência tivesse durado 430 anos, então a multiplicação
aqui indicada poderia ter sido feita através de três filhos e três
filhas (na média) de cada casal durante as primeiras seis gerações,
e uma média de dois filhos e duas filhas por casal nas quatro ge-
rações restantes. Neste ritmo, haveria até a décima geração (se-
gundo Delitzsch, Pentateuch, II, 30) 478.224 filhos de mais de vinte
anos de idade até ao 400.° ano da permanência no Egito, sobrando
ainda 125.326 homens de idade militar da nona geração. O total
destes perfaria exatamente 603.550 homens capazes de portar
armas.

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.