19 de junho de 2013

Gleason L. Archer - A História de Moisés: O começo

Muitos assuntos que dizem respeito ao livro de Êxodo já foram
levantados em capítulos anteriores. A provável identificação do
“Faraó que não conhecera José” com a dinastia hicsa já foi ex-
plicada no fim do capítulo 15. Se aceitarmos esta hipótese, seria
muito razoável ver em Êxodo 1:15-22 referência a uma perse-
guição resumida sob Amenotepe I (1559-1539) e Tutmose I (1539-
1514.), em cujos reinados o crescente sentimento estrangeiro dos egípcios finalmente voltou-se contra os hebreus (embora estes também tivessem sido oprimidos pelos odiados hicsos).

Durante o reinado de Tutmose I, nasceu Moisés (cerca de 1527),
recebendo da princesa que o adotou (talvez Hatsepsute) o nome
de Moisés (“Filho das Águas” no egípcio, “Tirando fora” em
hebraico). Quanto a esta etimologia egípcia mw-s; ou !‘filho
d’água”, é verdade que comumente a idéia do possessivo se exprime
no Egípcio “A de B”, ou, neste caso, seria “s; mw”. Mas no caso
de nomes próprios, os egípcios ocasionalmente invertiam a ordem,
como na História de Sinué, onde Ensi, filho de Amu, é chamado

“Amu-sa; Ensi”. Ou, outra vez, na História do Camponês Elo-
qüente, (também uma obra do Reino Médio), Rensi o filho de
Meru é chamado “Meru-sa; Rensi”. Quanto à etimologia freqüen-
temente sugerida para Moisés, “Mose” — uma forma abreviada
de Ra’mose (Ramsés) ou Tutmose (“Gerado por Tote”), seria uma
alternativa perfeitamente aceitável se não fosse a implicação de
Êxodo 2:10 que o nome que a princesa deu ao menino tivesse
algum significado na língua egípcia, em referência ao fato de ser
achado na beira do rio. Naturalmente ainda há a possibilidade   de
que o sujeito da palavra “ela” em Êxodo 2:10 não fosse a princesa
egípcia, mas a mãe de Moisés, que tinha sido empregada como
sua ama. Isto eliminaria toda a necessidade de se descobrir a
etimologia egípcia. Mas isto também seria uma pressuposição que
a mãe não lhe tivesse dado um nome na ocasião da sua circuncisão,
fosse a mãe que tivesse tido o privilégio de lhe dar o nome, e não sua
nova mãe adotiva. Estas três suposições seriam difíceis de se man-
ter em face das circunstâncias, e seria melhor ficar com a etimo-
logia egípcia sugerida acima.


Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.