6 de junho de 2013

Gleason L. Archer - Abraão e Gênesis 14

A confirmação arqueológica da integridade histórica do re-
lato contido em Gênesis quanto à vida de Abraão já examinada
no capítulo 13 deste livro (págs. 187-191). Ali foi demonstrado:
(1) que o nome “Abram” aparece nos registros cuneiformes da
primeira metade do segundo milênio a.C.; (2) tanto Ur como Harã
eram cidades prósperas no século 21 a.C.; (3) Siquém, Ai e Betel
estavam habitadas durante aquele período, e do mesmo modo, o
Vale do Jordão era altamente populoso; (4) que os nomes dos reis
invasores alistados em Gênesis 14 eram apropriados àquela época,
que havia viagens em grande escala entre a Mesopotâmia e a Pa-
lestina, e o poderio elamita estava no auge aproximadamente na-
quela mesma época; (5) que as negociações de Abraão na compra
da caverna de Macpelá eram conformes à lei dos heteus de acordo
com a prática do segundo milênio. Unger (AOT 107) e J. B. Pay-
ne  colocam a data do nascimento de Abraão no século 22 a.C., e
sua migração à Palestina no século 21 (estimada com mais precisão
por Payne como sendo 2091 a.C., enquanto Unger dá a entender
alguns anos mais tarde), no período da terceira dinastia de Ur,
entre 2070 e 1960.


Visto que o nome de Hamurabi ficou associado com o de
Abraão durante tanto tempo, pela razão da sua suposta identidade
com Anrafel, rei de Sinear (Gn 14:1), seria bom indicar as linhas
de evidência mais recentes para fixar a data de 1700 a.C. como
sendo o ponto central da carreira de Hamurabi. Num artigo do
Journal of Near Eastem Studies (Abril, 1958), M. B. Rowton alista
os dados como se segue: (1) Um grande pedaço de carvão duma
construção em Nipur feita alguns anos antes ou depois da acessão
de Ibi-Sin (um rei da terceira dinastia de Ur, que reinou 235 anos
antes de Hamurabi), deu a data pelo radiocarbono de 1922 a.C., com
106 anos para mais ou para menos de tolerância. Isto daria a Ha-
mumurabi a data de 1.757 a.C. 4- ou - 106. (2) Esteiras de juncos
do zigurate (ou torre em forma de escada) de Ur-Nammu, fundador
da terceira dinastia de Ur, erigidas em Uruque (talvez, alternativa-
mente, no reinado do seu sucessor, Shulgi), receberam a data de
1. 868 + ou - 133 pelo radiocarbono. Isto colocaria a acessão de 
Hamurabi em 1.581 + ou - 133. (3) os relatórios sobre a obser-
vação do planeta Vênus no reinado de Amizaduga da Babilônia (o
quarto na sucessão depois de Hamurabi) permitem três possíveis da-
tas para a acessão de Hamurabi: 1848, 1792 e 1728. Destas, Rowton
favorece a segunda, 1792, na base duma declaração de Tiglate-Pile-
ser I (cujas datas são 1112-1074, segundo Van der Meer) que tinha
renovado o templo de Anu e Adade 701 anos depois da sua cons-
trução por Chamchi-Adade I, contemporâneo de Hamurabi. Estas
evidências tendem a confirmar o sincronismo de Zinri-Lim e Ha-
murabi mencionado no capítulo 13 (p. 189), estabelecendo as datas
do seu reinado dentro do século 18 a.C. — muito depois da época
de Abraão.

Fonte: ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento? 4º ed. São Paulo : Vida Nova, 2003.