28 de junho de 2013

Os atos de justiça de um crente são trapos imundos? – Kevin DeYoung

Muitos são os cristãos que creem que todos os seus atos justos não passam de trapos imundos. Afinal, é o que Isaías 64.6 parece dizer: até mesmo nossos melhores feitos são imundos e destituídos de valor. Mas não penso ser isso que Isaías quis dizer. Os “atos de justiça” que Isaías tinha em mente eram, muito provavelmente, os rituais superficiais oferecidos por Israel, desprovidos de uma fé e de uma obediência sinceras. Em Isaías 65.1-7, o Senhor rejeita os sacrifícios pecaminosos de Israel. Eles são um insulto ao Senhor, fumaça para seu nariz, assim como a “obediência” ritualista de Isaías 58 não

A vida de Davi


Roland de Vaux - Evolução da organização tribal em Israel

Ao utilizar as analogias do nomadismo árabe para esclarecer a organiza¬ção primitiva de Israel, é importante notar que os documentos bíblicos não permitem em nenhum momento captar a vida tribal em estado puro. As tradições sobre os Patriarcas referem-se a famílias, ou, no máximo, a clãs; e deve- se reconhecer que os relatos sobre a estada no deserto e sobre a conquista de Canaã foram geralmente esquematizados de forma favorável a “todo o Israel” e em detrimento da individualidade das tribos. A melhor época para o estudo é a dos juizes, onde vemos as tribos vivendo e agindo ora isoladamente, ora em conjunto. Mas exatamente nessa ocasião, as tribos não têm chefes individuais, a autoridade é exercida pelos Anciãos e sente-se que o clã, a inishpahah, vai se tornar a unidade social mais estável. Isto significa que a organização tribal começa a se dissolver. É o preço da sedentarização: a tribo torna-se pouco a pouco uma unidade territorial, que se subdivide.

27 de junho de 2013

Juízes de Israel


Gleason L. Archer - A data do Êxodo

Segundo 1 Reis 6:1, o templo de Salomão foi iniciado no quarto
ano do seu reinado (i.é., 966 ou pouco depois), citado como sendo
o ano 480 depois do Êxodo.  Assim, a data exata do Êxodo seria
1445, no terceiro ano de Amenotepe II (1447-1421). Pode ter sido
uma cifra de alguns anos para mais ou para menos, se apenas 480
deve ser considerado um número arredondado. Isto significaria
que a conquista israelita de Canaã pode ter começado com a des-
truição de Jericó cerca de 1405 (depois dos quarenta anos no
deserto). Esta data tem sido confirmada pelas escavações de John
Garstang no sítio de Jericó, Tell es-Sultan, entre 1930 e 1936. Por 
razões arqueológicas, datou a cidade do nível da Idade de Bronze
(“Cidade D”) em cerca de 1400.

Outra confirmação desta data se acha na declaração de Jefté,
registrada em Juizes 11:26, quando lembra aos invasores amonitas
que os israelitas tinham possuído a terra contestada de Gileade
por um período longo demais para agora serem desafiados pelos
amonitas quanto aos seus direitos legais: “Enquanto Israel habitou

26 de junho de 2013

Milagres do Êxodo e da entrada em Cananã


Eugene H. Merril - Uma teologia do Gênesis - A torre de babel

A importância da torre de Babel está na interrupção do cumprimento do
mandato do concerto, uma característica compartilhada em comum com o casamento misto entre anjos e homens relatada em Gênesis 6.1-4. Esse ato de rebe-
lião resultou na catástrofe do Dilúvio, depois do qual a descendência de Noé “se
[espalhou] pela terra” (Gn 8.17, NVI). Semelhantemente, em consequência de o
Senhor apropriar-se da construção da torre, Ele “os espalhou [...] sobre a face de
toda a terra” (Gn 11.9). A linguagem usada é muito formulista e exata para ser
considerada coincidente. As duas histórias devem estar tratando de temas e inte-
resses comuns além da ideia geral de desobediência ao concerto adâmico. 

25 de junho de 2013

Mobiliário do Tabernáculo


Roland de Vaux - Solidariedade tribal e vingança de sangue

O vínculo de sangue, real ou suposto, cria uma solidariedade entre todos os membros da tribo. É um sentimento extremamente vivo, que persistiu por muito tempo depois da sedentarização. A honra e a desonra de cada membro repercute em todo o grupo. Uma maldição se estende a toda a raça e Deus
castiga as faltas dos pais nos filhos até a quarta geração, Ex 20.5. Um chefe valoroso honra a toda uma família, enquanto que um grupo inteiro sofre as conseqüências do erro de seu dirigente, II Sm 21.1.

Essa solidariedade se expressa de modo particular no dever que se impõe ao grupo de proteger seus membros fracos e oprimidos. Essa é a obrigação por trás da instituição do go’el, que excede as condições do nomadismo e será estudada com as instituições familiares.

24 de junho de 2013

A vida de Moisés


Gleason L. Archer - O Período da Permanência no Egito

Quanto ao período da permanência dos israelitas no Egito, a
declaração clara do texto hebraico de Êxodo 12:40 é que se estendeu
durante um período de 430 anos, desde a migração da família de
Jacó até ao Êxodo propriamente dito. Mas sendo que a Septuaginta
aqui declara que os 430 anos incluem a permanência de Abraão e
seus descendentes em Canaã, e não somente no Egito, alguns têm
preferido esta variação da leitura do Texto Massorético. Isto daria
um total de cerca de 215 anos para a permanência no Egito, colo-
cando a carreira de José bem no meio do período dos hicsos. Mas
há várias considerações que demonstram a alta improbabilidade
do intervalo de 215 anos.

Em primeiro lugar, Abraão recebeu uma profecia, em Gênesis
15:16, que depois de serem oprimidos num país estranho, seus

21 de junho de 2013

As dez pragas


Eugene H. Merril - Uma teologia do Gênesis: Noé, um segundo Adão

O pecado do homem nos dias de Noé era atroz e doloroso ao Senhor, que
se arrependeu de ter criado o homem. Ele determinou enterrar o homem sob as
águas do mar da mesma maneira que enterrara Adão sob a superfície da terra.
As águas caóticas, que se submeteram obedientemente à mão do Criador para
que a terra seca aparecesse, agora seriam soltas pelo Criador como instrumen-
to da ira vingativa divina. Mas mesmo assim os propósitos criativos originais
não seriam frustrados e reduzidos, porque Deus começaria novamente com ou-
tro Adão, outra imagem que manteria o mandato da soberania. Claro que este
“Adão” era nada mais nada menos que Noé.

20 de junho de 2013

A vida de José


Roland de Vaux - A lei da hospitalidade e de asilo

Como já dissemos, a hospitalidade é uma necessidade da vida no deserto, necessidade que veio a ser uma virtude, e uma das mais estimadas entre os nômades. O hóspede é sagrado: recebê-lo é uma honra disputada, mas normal¬mente ela é do sheikh. O forasteiro pode desfrutar dessa hospitalidade durante tres dias e, quando vai embora, ainda lhe é devida proteção, cuja duração é variável: em algumas tribos “até que tenha saído de seu ventre o sal que comeu”, nas grandes tribos como os Rwala da Síria, por mais outros três dias e em um raio de 150 quilômetros.

Logo vêm à memória os paralelos do Antigo Testamento: Abraão recebe esplendidamente os três “homens” em Manre, Gn 18.1-8; Labão apressa-se a acolher o servo de Abraão, Gn 24.28-32. Dois relatos, o dos anjos recebidos por Ló em Sodoma, Gn 19.1-8, e o do crime de Gibeá, Jz 19.16-24, mostram até que extremos podia chegar o sentimento da hospitalidade. Ló e o ancião de Gibeá estão dispostos a sacrificar a honra de suas filhas pela proteção de seus hóspedes, e dá-se a razão disto: é só porque esses estavam sob a proteção de seus tetos, Gn 19.8 e Jz 19.23.

19 de junho de 2013

A vida de Jacó (Israel)


Gleason L. Archer - A História de Moisés: O começo

Muitos assuntos que dizem respeito ao livro de Êxodo já foram
levantados em capítulos anteriores. A provável identificação do
“Faraó que não conhecera José” com a dinastia hicsa já foi ex-
plicada no fim do capítulo 15. Se aceitarmos esta hipótese, seria
muito razoável ver em Êxodo 1:15-22 referência a uma perse-
guição resumida sob Amenotepe I (1559-1539) e Tutmose I (1539-
1514.), em cujos reinados o crescente sentimento estrangeiro dos egípcios finalmente voltou-se contra os hebreus (embora estes também tivessem sido oprimidos pelos odiados hicsos).

Durante o reinado de Tutmose I, nasceu Moisés (cerca de 1527),
recebendo da princesa que o adotou (talvez Hatsepsute) o nome
de Moisés (“Filho das Águas” no egípcio, “Tirando fora” em
hebraico). Quanto a esta etimologia egípcia mw-s; ou !‘filho
d’água”, é verdade que comumente a idéia do possessivo se exprime
no Egípcio “A de B”, ou, neste caso, seria “s; mw”. Mas no caso
de nomes próprios, os egípcios ocasionalmente invertiam a ordem,
como na História de Sinué, onde Ensi, filho de Amu, é chamado

18 de junho de 2013

A vida de Abraão (Abrão)


Eugene H. Merril - Uma teologia do Gênesis: O propósito do concerto e a soteriologia

A maldição da alienação requer um ato de reconciliação. E este ato, tanto
como evento, quanto como processo, que é a definição de salvação.  A Soterio-
logia é obviamente um tema importante da Teologia Bíblica, embora seja claro
que não é o motivo central. Isto é evidente em que salvação envolve libertação
de algo para algo e, portanto, é um conceito funcional em vez de ser um con-
ceito teleológico. Em outras palavras, a salvação conduz a um propósito que foi
frustrado ou interrompido e não é, em si mesmo, um propósito.

Os esforços de muitos estudiosos em ver a salvação como tema central,
até mesmo na narrativa da criação não são convincentes, porque tais esforços
baseiam-se em grande parte na mitologia pagã, na qual a criação ocorre como
um resultado da subjugação das águas caóticas primitivas pelos deuses.  Não há o indício de tal coisa no Antigo Testamento, exceto em passagens em que tais

17 de junho de 2013

A vida de Noé


Roland de Vaux - Território da tribo: guerra e razia

Cada tribo tem um território que lhe é reconhecido como próprio e den­tro do qual as terras cultivadas estão geralmente sob o regime de propriedade privada, mas os pastos são comuns. Os limites são, às vezes, flutuantes e se dá o caso de que grupos que pertencem a tribos diferentes se compenetrem nas regiões favorecidas, quando tais tribos vivem em harmonia. Mas a tribo a que pertence o território pode impor condições e exigir direitos de pastagem.
Essas liberdades dão facilmente lugar a disputas, principalmente a res­peito do uso dos poços ou das cisternas. No deserto, todo mundo deve saber que tal aguada pertence a tal grupo, mas acontece que às vezes os títulos são questionados e surgem assim contendas entre os pastores. Isso ocorreu em todos os tempos: os pastores de Abraão disputam com os de Ló, Gn 13.7; os servos de Abimeleque usurpam um poço cavado por Abraão, Gn 21.25; Isaque teve dificuldade para fazer valer seus direitos sobre os poços que ele mesmo havia perfurado entre Gerar e Berseba, Gn 26.19-22.

14 de junho de 2013

Gerard Van Groningen - O Sábado no Antigo Testamento: Tempo para o Senhor, Tempo de Alegria Nele (Parte 1)

(Parte II)

Atualmente estamos vivendo no período do Novo Testamento referido por Paulo como a era presente. A era anterior, o Antigo Testamento, terminou quando Jesus Cristo veio à terra como o Filho de Deus encarnado. A era vindoura, o período do Testamento Consumado, para o qual tanto o Antigo como o Novo Testamento apontam, e sobre o qual apresentam vários ensinos, ainda não chegou. Quando Jesus Cristo voltar em glória, a era vindoura terá seu início. E quando essa era final se consumar, o descanso de Deus será plenamente inaugurado outra vez, será plenamente restaurado. Este descanso é a herança gloriosa de todos os que creem em Jesus Cristo.
I.  O Descanso Sabático Apresentado em Hebreus 3 e 4
O autor da Epístola aos Hebreus, buscando admoestar os crentes da igreja cristã nascente a serem fiéis a Cristo, refere-se indiretamente às três épocas do desenvolvimento e realização do plano de Deus para

Cananeus e Filisteus


Gleason L. Archer - Esboço de Êxodo

O título hebraico do Êxodo é We’êlleh shemôth (“E estes são
os nomes de”), ou mais simplesmente, shemôth (“os nomes de”),
derivado das primeiras palavras de Êxodo 1:1. O título da Septua-
ginta, Êxodos, (“saída”), dá origem ao nome da Vulgata, Exodus.
O tema do livro é o começo de Israel como nação da aliança. Narra
como Deus cumpriu sua antiga promessa a Abraão, multiplicando
seus descendentes até formar uma grande nação, redimindo-a da
terra da servidão, e renovando a aliança da graça com a nação
inteira. No sopé do monte sagrado, outorga-lhe as promessas da
aliança, dando-lhe uma regra de conduta pela qual os membros
da nação pudessem ter uma vida santificada, e também um san-
tuário no qual pudessem fazer ofertas pelo pecado e renovar sua
comunhão com Ele mediante Sua graça e perdão.

Esboço de Êxodo

13 de junho de 2013

Juízes de Israel


Eugene H. Merril - Uma teologia do Gênesis: O pecado e a interrupção do propósito do concerto

A origem do pecado é um mistério que permanece fechado na revelação
bíblica. O que está claro é que o pecado é uma realidade e que acompanhou
duramente a criação do homem e o seu concerto entre Deus e os homens, e
entre eles e todas as outras criaturas. O restante da história bíblica é o plano de
Deus por meio do qual essa alienação pode ser vencida e os propósitos originais
divinos ao homem — que ele tenha domínio sobre todas as coisas — sejam
restabelecidos.

A natureza da relação entre Deus e os homens era soberano-vassalo. Deus
criara o homem para o propósito expresso de transmitir a ele a condição e a fun-
ção da imagem, quer dizer, o homem tinha de representar Deus no seu domínio
sobre toda a criação. Tal privilégio também acarretava responsabilidades, a prin-

12 de junho de 2013

As tribos de Israel


Mauro Meister - A questão dos pressupostos na interpretação de Gênesis 1.1 e 2

Mauro Fernando Meister*
"Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem" (Hebreus 11.3).
INTRODUÇÃO
Ao longo de vários séculos de interpretação das Escrituras Sagradas, tem havido várias formas de entender o texto de Gênesis, capítulo 1, versos 1 e 2, e sua relação com o restante do capítulo primeiro, assim como a sua relação com o restante das Escrituras. Mesmo depois do tempo decorrido e das inúmeras interpretações, o assunto ainda é um convite a muita reflexão. As diversas interpretações não parecem caminhar para um consenso; antes, tendem a diversificar-se ainda mais. As interpretações mais tradicionais desses dois versos passaram por várias revisões, especialmente após alguns eventos importantes do século XIX. Dois deles foram a proposição da teoria evolucionista de Darwin1 e a descoberta da biblioteca de Assurbanipal em 1853.2 E, ainda, no início do século XX veio à tona o modelo explicativo da origem do universo conhecido como teoria do Big-Bang.[3]

Roland de Vaux - Organização e governo da tribo

Mesmo que forme um todo, a tribo tem uma organização interna, funda¬da também nos vínculos de sangue. Entre os árabes nômades ficam flutuantes os limites e os nomes desses subgrupos. A unidade de base é naturalmente a família, 'ahel, que é um conceito bastante amplo. Diversas famílias aparenta¬das constituem uma fração ou um clã, que se chama hamüleh ou 4àshireh, conforme a região. A tribo mesmo se denomina qabileh, antigamente batn ou hayyt dois vocábulos que expressam a unidade de sangue em que ela é fundada.

Os israelitas conheceram uma organização muito semelhante. A bêí 'ab, a “casa paterna”, é a família, que compreende não só o pai, sua esposa ou esposas e seus filhos não casados, mas também os filhos casados, com suas esposas e filhos, e a criadagem. Várias famílias compõem um clã, a mispahah. Esta vive ordinariamente no mesmo lugar ou, pelo menos, se reúne para festas religiosas comuns e refeições sacrificiais, I Sm 20.6,29, e assume especial¬mente a vingança de sangue. Ela é regida pelos chefes de família, os zeqením ou “Anciãos”. Finalmente, em tempo de

11 de junho de 2013

Localização das tribos ao redor do tabernáculo durante a peregrinação no deserto


Gleason L. Archer - José e os Hicsos

Uma tradição que remonta pelo menos até a época de Josefo
(c. de 90 d.C.) declara que uma dinastia dos Hicsos reinava no Egito
quando José subiu ao poder como primeiro-ministro (ou vizir) na
corte de Faraó. Os Hicsos (corruptela da palavra egípcia heka’u
haswet ou “soberanos de países estrangeiros”) eram uma horda
algo heterogênea de invasores asiáticos, mormente de origem se-
mítica, que paulatinamente começaram por infiltrar o Egito do
norte, e finalmente chegaram ao poder supremo com seu progresso
irresistível que os levou bem para o sul do Egito. Capturando Mên-
fis, fizeram-na sua capital (juntamente com Tânis ou Aváris no
Delta) e estabeleceram as Dinastias XV e XVI. Maneto (ca. 250
a.C.) estimou seu período de domínio em até 500 anos. Mas evidên-
cia mais recente revela que seu reinado somou pouco mais de que
150 anos.  Provavelmente começaram a se infiltrar no Egito cerca
de 1900 a.C., chegando à posição de controle em 1730. 

10 de junho de 2013

Landon Jones - Salmo 100 e a Teologia de Culto

Landon Jones
O culto nas igrejas evangélicas é um assunto que é cada vez mais discutido. Neste artigo, o autor oferece uma breve análise exegético-liberária do Salmo 100, visando a uma aplicação à igreja. A linguagem do Salmo indica que o culto em Israel antigo inclui tanto atos como ações. O Salmo implica que o culto em Israel era jubiloso e inclui música e ofertas. Era um ato comunitário e não meramente individual. O autor conclui que estas características podem servir como princípios para a prática do culto da igreja contemporânea.

Eugene H. Merril - Uma teologia do Gênesis: O mandato do concerto e a vida de Jesus

O apóstolo Paulo descreveu Jesus como o segundo Adão, um epíteto asso-
ciado com a sua obra salvífica e redentora e com a função de “primeiro homem”
de uma comunidade regenerada. “Porque, assim como todos morrem em Adão,
assim também todos serão vivificados em Cristo” (1 Co 15.22; 15.45; Rm 5.12-
17). Não há como diminuir a imcportância deste aspecto redentor de Jesus como
o segundo Adão. Entretanto, também é instrutivo ver a vida de Jesus como a vida
do segundo Adão, e observar que Jesus veio não só para morrer, mas também para
viver. E a vida que Ele viveu demonstrou, por seu poder e perfeição, tudo o que
Deus criou para que Adão e todos os homens fossem. Em outras palavras, Jesus
cumpriu, em vida, as potencialidades do Adão não-caído, da mesma maneira que
pela morte Ele restabeleceu todo o gênero humano a essas potencialidades.

Eugene H. Merril - Uma teologia do Gênesis: O mandato do concerto e a escatologia

Se os propósitos de Deus estão associados ao seu ato da criação e domínio,
esperaríamos que estes temas duplos prevalecessem ao longo da revelação bíblica.
E realmente prevalecem. A interdição devastadora do pecado obrigou ajustes na
implementação desses propósitos, de forma que a capacidade de o homem cumprir
as condições do mandato ficou seriamente prejudicada e exigiu modificação. Mas o
que se submergiu no transcurso da história humana voltará a emergir no último dia,
quando a plena capacidade de o homem cumprir o concerto será restabelecida. Isto
está perfeitamente claro de um exame de várias passagens nos profetas.

9 de junho de 2013

Festas judaicas e dias sagrados


7 de junho de 2013

Landon Jones - Introduzindo o Antigo Testamento

Por Landon Jones

Definição

O que é o Antigo Testamento? Quando eu faço esta pergunta numa sala de aula, as respostas são variadas. Alguns dizem que o Antigo Testamento é o “complemento do Novo Testamento” ou “a promessa de Deus de enviar o Messias.” Outros destacam o aspecto histórico, dizendo que o Antigo Testamento é “a revelação progressiva de Deus para o povo hebraico”. Estas respostas mostram, em termos gerais, como o leitor ocasional ou até freqüente do Antigo Testamento pensa do seu conteúdo. Estas respostas são corretas? Na realidade, em todas essas respostas, podemos encontrar alguns aspectos da natureza do AT. A questão que ainda permanece é a seguinte: Será possível definir em poucas palavras um corpo de literatura que levou mais que mil anos para se escrever e transmitir? É possível reduzir tudo que se encontra no AT a uma só frase? Certamente, definir do Antigo Testamento não é fácil, principalmente por causa da natureza desta literatura. A resposta inclui vários aspectos importantes. Vamos esboçar alguns:

Sacrifícios do Antigo Testamento


Roland de Vaux - Agrupamento, divisão e desaparecimento das tribos

As doze tribos de Israel formam uma confederação e conhecem-se agru¬pamentos semelhantes de tribos árabes. Às vezes se trata somente de peque¬nas tribos que se unem para formar uma frente comum contra vizinhos pode¬rosos, assim os agêdât, os “confederados” do médio Eufrates, mencionados anteriormente. Outras vezes trata-se de tribos que têm certa origem comum, que provêm da divisão de uma tribo que se tornara muito numerosa. As novas unidades adquirem então uma autonomia de alcance variável. Conservam, em todo caso, o sentimento de seu parentesco e podem unir-se para realizar obras comuns, migrações ou guerras, e, nesse caso, reconhecem um chefe obedeci¬do por todos os grupos ou por parte deles. Esse estado social pode ser estuda¬do, na época moderna, em duas grandes federações rivais do deserto da Síria, os 'Aneze e os shammar. Israel conheceu uma situação

6 de junho de 2013

Aspectos sociais de importância na Aliança


Gleason L. Archer - Abraão e Gênesis 14

A confirmação arqueológica da integridade histórica do re-
lato contido em Gênesis quanto à vida de Abraão já examinada
no capítulo 13 deste livro (págs. 187-191). Ali foi demonstrado:
(1) que o nome “Abram” aparece nos registros cuneiformes da
primeira metade do segundo milênio a.C.; (2) tanto Ur como Harã
eram cidades prósperas no século 21 a.C.; (3) Siquém, Ai e Betel
estavam habitadas durante aquele período, e do mesmo modo, o
Vale do Jordão era altamente populoso; (4) que os nomes dos reis
invasores alistados em Gênesis 14 eram apropriados àquela época,
que havia viagens em grande escala entre a Mesopotâmia e a Pa-
lestina, e o poderio elamita estava no auge aproximadamente na-
quela mesma época; (5) que as negociações de Abraão na compra
da caverna de Macpelá eram conformes à lei dos heteus de acordo
com a prática do segundo milênio. Unger (AOT 107) e J. B. Pay-
ne  colocam a data do nascimento de Abraão no século 22 a.C., e
sua migração à Palestina no século 21 (estimada com mais precisão
por Payne como sendo 2091 a.C., enquanto Unger dá a entender
alguns anos mais tarde), no período da terceira dinastia de Ur,
entre 2070 e 1960.

5 de junho de 2013

Mapas do Antigo Testamento (Parte 7)

Click na imagem para ampliar!

Locais chave no livro de Lamentações

Locais chave no livro de Neemias

Locais chave no livro de Zacarias

Ciro permite o retorno dos exilados

Locais chave no livro de Ageu 

Locais chave no livro de Malaquias


Fonte: Bíblia GLOW

Eugene H. Merril - Uma teologia do Pentateuco: A procura de um centro

A análise acima propõe que a revelação bíblica seja um fenômeno unificado,
propositado e autoconsistente, refletindo os propósitos de um Deus autoconsistente,
que deseja revelar suas intenções à criação. Discutimos que podemos reduzir estas in-
tenções a uma declaração a ser esperada no começo do processo histórico e canônico.
Infelizmente, aqui é impossível determinar essa declaração e suas implicações ao longo da Bíblia, porque este capítulo só está relacionado com a teologia do Pentateuco. Mas
é precisamente no Pentateuco que tal declaração tem de aparecer em primeiro lugar,
para que o conjunto precedente de pressupostos tenha alguma validade.

Embora haja uma declaração dominante e inclusiva de propósito divino (daqui
por diante, centro), pode haver declarações secundárias e menores que são essenciais
à obtenção de um objetivo principal.  O próprio momento da composição do Pen-
tateuco é um exemplo característico. Está claro que Moisés preparou a Torá escrita
como instrução sobre a origem, propósito e destino do povo de Israel. O Êxodo e a

4 de junho de 2013

Roland de Vaux - Constituição das tribos

A tribo é um grupo autônomo de famílias que se consideram descendenes de um mesmo antepassado. Ela é denominada segundo o nome ou o sobre¬nome de seu antepassado, precedido ou não de “filhos de". Os exemplos árabes são inumeráveis. Na Bíblia, o grupo dos descendentes de Amaleque, de Edom, de Moabe, são chamados Amaleque, Edom, Moabe sem a adição de “filhos de”. Contudo, se diz “Israel” ou “filhos de Israel”, “Judá” ou “filhos de Judá” etc., e sempre “filhos de Amom”, exceto dois casos, dos quais um é textualmente incerto. No lugar de “filhos”, pode-se dizer “casa” (no senti¬do de família, descendência): “a casa de Israel”, sobretudo, “a casa de José”. Os textos assírios seguem o mesmo costume para designar os grupos aramaicos que viviam em condições análogas às dos primeiros israelitas: bit (casa de) Yakin e mar (filho de) Yakin, ou bit Adini e marAdini. Inclusive, a propósito dos israelitas sedentários do Reino do Norte depois de Omri, dizem: bit Humri e mar Humri.

3 de junho de 2013

O Ministério Educacional no Antigo Testamento

Por Edleuza Fernandes

I.O MINISTÉRIO EDUCACIONAL NO AT

Depois do tempo da escravidão no Egito, Deus delegou a Moisés, junto aos anciãos e sacerdotes para ensinar seus mandamentos a todo o seu povo. Deuteronômio 31.12. Deu também responsabilidade aos pais na tarefa de ensinar aos seus filhos o temor de Deus, Deuteronômio 6. 6, 7; Deuteronômio 11. 19-20; Deuteronômio 6.20,21. Quando Josué assumiu a liderança ele não descuidou do ensino bíblico ao povo de Deus. Seguiu o exemplo de Moisés. Josué. 8. 34-35; 4.6,7.

Gleason L. Archer - A Tabela das Nações em Gênesis 10

Do ponto de vista dos relacionamentos linguísticos, parece
haver uma discrepância marcante entre as afinidades históricas
entre as nações do Oriente Próximo e as que são indicadas nas
tabelas genealógicas de Gênesis 10. Por exemplo, declara-se que
Canaã é descendente de Cão (v. 6), mas os canaanitas de 2.000 a.C.
estavam falando um dialeto semítico ocidental (do qual a própria
língua hebraica é uma subdivisão). Deve ser levado em conta,
porém, que a linguagem não é fator decisivo em relacionamentos
étnicos, pois os Visigodos germânicos acabaram falando espanhol
na Espanha, os Ostrogodos, italiano na Itália, os Francos germâ-
nicos adotaram o francês na França, e os Normandos de língua
francesa acabaram adotando o inglês na Inglaterra. Correspon-
dentemente, as tribos camiticas que conquistaram a Palestina no
terceiro milênio a.C., podem ter sucumbido à influência dos vizi-
nhos de fala semítica, qualquer que tenha sido sua língua original.
Outro problema é apresentado pelo aparecimento de Seba como
sendo descendente tanto de Cão (v. 7) e de Sem (v. 28). Com toda
a probabilidade, os sabeus eram originalmente camiticos, mas seu
continuado inter-relacionamento com vizinhos semíticos na Arábia