7 de junho de 2012

"Contradições" no Pentateuco e suas Possíveis Respostas (Conclusão)


      Por Danilo Moraes

    k)      Seria possível cerca de dois milhões de pessoas sobreviverem quarenta anos no deserto?

Conforme Deuteronômio 32.13-14 diz:
“Ele o fez cavalgar sobre os altos da terra, comer as messes do campo, chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira, coalhada de vacas e leite de ovelhas, com a gordura dos cordeiros, dos carneiros que pastam em Basã e dos bodes, com o mais escolhido trigo; e bebeste o sangue das uvas, o mosto”.
Isso nos mostra que o povo de Israel tinha abundancia para eles e para seus rebanhos, tornando possível  a sobrevivência no deserto.
Ao contrário do que a Bíblia diz, com base em Israel ter permanecido por 40 anos no deserto, e serem por volta de 600.000 homens e adultos (Ex 12.37) levando em consideração mulheres e crianças que não eram contadas, temos no total aproximadamente dois milhões de pessoas; os críticos sustentam não ter sido possível um êxodo com tantas pessoas por um período tão grande.
Devemos considerar quer a palavra “deserto” não denota somente terreno árido e sem vegetação. Conforme a palavra hebraica para deserto, “midbār” “é usada para descrever três tipos de terreno em geral: pastagens (Js 2.22; Sl 65.12[13]; Jr 23.10), terra não habitada (Dt 32.10; Jó 38.26; Pv 21.19; Jr 9.1) e áreas extensas em que oásis ou cidades e vilarejos existem aqui e ali”.[1] Assim, o povo de Israel não estava em um lugar que por todo o seu território não havia recursos para sobrevivência.
Outro fator importante para entendermos é o fato de que o Senhor lhes sustentou com maná por todos os quarenta anos (Ex 16.35), e com água (Nm 21.11). Também possuíam animais, donde podiam extrair alimentos, e ouro e prata que trouxeram do Egito para negociarem com nações vizinhas.


l)     Se Deuteronômio trinta e quatro descreve a morte de Moisés, não demonstra ter sido o livro todo escrito por outra pessoa que não seja Moisés?

Erroneamente tanto Josefo como Fílon acreditavam ter Moisés ter escrito sua própria morte. No Talmude já temos a opinião de que os oito últimos versículos de Deuteronômio forma escritos por Josué.
De fato não foi Moisés quem escreveu sobre sua própria morte. Provavelmente foi escrito por Josué, seu sucessor. O capítulo 34 de Deuteronômio trata-se de um obituário inserido na obra do grande líder que foi Moisés; isso não implica de se deve rejeitar o restante da obra como não sendo de sua autoria. Este obituário seria como uma conclusão à vida de Moisés; este costume se observa em várias culturas, o que impede os críticos de enxergarem este fato, são suas pressuposições pessoais mergulhadas em uma ânsia em negar a autoria mosaica do Pentateuco.



CONCLUSÃO


Em nossas pesquisas textuais temos que ter em mente que na maioria das vezes os “problemas” ou “contradições” que encontramos no texto bíblico, são na verdade nossos “problemas” e nossas “contradições” gerados por nossa incapacidade, limitação e algumas vezes preguiça. O que não podemos fazer é dar uma importância demasiada a estas “contradições”, a ponto de nos tornarmos céticos quanto à credibilidade da Bíblia, pois com isso podemos nos esquecer da clareza contida na grande maioria dos textos bíblicos.


  
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[1]Harris, R. Laird; Gleason L. Archer, Jr; e Bruce K. Waltke, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, Ed Vida Nova, 2001, pg. 297.