11 de abril de 2012

Perfil de Três Reis - Cura e esperança para corações quebrantados (Resenha)



Por Danilo Moraes

No início do livro  na sessão “prólogo” temos o pano de fundo da história. Nele vemos que Deus pediu a Gabriel que pegasse duas porções de seu ser e as concedesse a dois destinos a nascer. Assim Gabriel indo até o reino dos destinos faz a descrição da primeira porção da natureza de Deus, e a descreve como um dom que toca o homem na esfera exterior. E prontamente um destino a aceitou.
Gabriel então fez uma descrição do segundo dos elementos de Deus, e explica que se trata de uma herança, que é plantada no profundo do ser. Da mesma forma imediatamente um destino se manifesta e aceita esse elemento de Deus. Tudo isso foi registrado por um amanuense no livro dos destinos, e Gabriel lhe informa que estes dois destinos serão dois reis, cada um há seu tempo.
Entre as montanhas de uma vila chamada Belém, a cerca de 3 mil anos atrás viveu um filho caçula de uma família de oito irmãos. Diante dos afazeres de um pastor de ovelhas o jovem pastorzinho entoava cânticos ao Senhor, e treinava sua pontaria com uma funda. Num certo dia chega um de seus irmãos pedindo a ele que volte correndo para casa, pois uma pessoa quer velo, e lá chegando um velho sábio o observou e lhe pediu que se ajoelhasse.
Estando de joelhos o jovem pastorzinho sente descer sobre sua cabeça um óleo e palavras sendo pronunciadas pelo velho sábio Samuel. Logo o jovem percebeu que acabara de ser ungido rei! O que poderia Davi esperar, depois de ser ungido rei? Paz e prosperidade. Não. O que Davi encontrou foi longos anos de quebrantamento e sofrimento.
Davi derrotou um gigante de quase três metros de altura, e tornou-se um herói. E, consequentemente foi parar no palácio do rei insano. Davi cantava frequentemente para o rei. Devido a popularidade de Davi o rei sentiu-se ameaçado e percebeu que o jovem um dia acabaria ocupando seu trono. Saul então saiu em busca de tirar a vida de Davi. Se nós tivermos reis sobre nós que procuram arremessar lanças quando se sentem ameaçados, é bom sabermos que são reis segundo a ordem do rei Saul.
É preciso aprender que na escola de Deus são poucos os matriculados e menos ainda os formandos, pois esta escola é de submissão e quebrantamento. E Deus usa pessoas como Saul para nos provar. Davi soube se portar diante das investidas de Saul – ele não revidava. Podemos achar muitos motivos “justificáveis” para revidar, mais no final veremos que somos ungidos do Senhor segundo a ordem do rei Saul... completamente louco.
Davi soube como ninguém desviar-se das lanças que eram atiradas contra ele. Seu segredo era nunca aprender algo da elegante e fácil arte de arremessar lanças, segundo ficava longe de quem arremessava lanças, e terceiro mantinha a boca bem fechada.
Ninguém tem a capacidade de saber se um determinado rei é da ordem de Saul, ou de Davi. Devemos constantemente nos perguntar a qual ordem pertencemos. Se estivermos no meio de um concurso de arremesso de lanças, o que fazer? – Você deve ser esfaqueado até morrer. Entenda. Todos temos um rei Saul correndo em nossas veias e pulsando em nosso coração. O Saul exterior (o rei) foi usado por Deus para extrair o Saul interior de Davi. E esse foi um processo doloroso.
Existiu um momento em que Davi precisou abandonar o ungido do Senhor segundo a ordem do rei Saul. Saul procurou tirar-lhe a vida, com isso Davi fugiu – sozinho. O verdadeiro ungido do Senhor tem coragem de partir sozinho, e não pensa em fundar o reino do rei Saul II.
Davi refugiou-se em uma caverna. Cavernas são frias, bolorentas, úmidas, nada  oportunas para levantar o ânimo. Mas Davi em uma caverna entoava louvores ao Senhor e compunha inúmeros hinos. No período que Davi viveu as escondidas de Saul nas cavernas e florestas foi o período mais sombrio de Davi. Mas foram os dias que nós conhecemos serem os que antecederam seu reinado. As pessoas podiam olhar para Davi e ver nele um derrotado, mas nos padrões celestiais Davi era um homem quebrantado.
Com a loucura do rei demais pessoas fugiram, e acabaram encontrando Davi que também estava em fuga de Saul. Estes fugitivos notaram que em Davi havia algo diferente, e puseram a segui-lo sem que Davi solicita-se.
Davi certa vez teve a chance de matar Saul e não matou. Joabe sabendo desse feito foi ter com Davi, e lhe repreendeu, pois como Davi teve a chance de libertar Israel e os oprimidos de um rei louco e não o fez. Davi lhe explicou que não queria ser como Saul. Ninguém conseguia entender Davi! Mas o céu se alegrou com sua atitude.
Podemos ficar tentados em apontar para o nosso líder e dizer que ele é da ordem do rei Saul. Mas, mesmo sendo da ordem do rei Saul, é ungido do Senhor! Os dons de Deus são irrevogáveis. Nunca saberemos a que ordem pertence, mas Deus sabe.
Duas gerações após o reinado de Saul reinou o neto de Davi. E nas fileiras dos exércitos um jovem se emocionava ao ouvir as histórias acerca dos valentes de Davi, e procurou saber se havia algum vivo ainda. Ao descobrir o paradeiro de um dos valentes de Davi foi ter com ele. Lá chegando quis saber sobre a grandeza do rei Davi. O velho guerreiro lhe relatou que Davi nunca ameaçou mediante leis, decretos e medo, ao contrário Davi ensinou a submissão. Um líder que discursa sobre submissão tem um duplo temor em seus corações: não têm certeza de serem verdadeiros líderes, e tem medo de uma rebelião. Davi ensinou a perder, não a vencer; a dar, não a tomar. E concluiu: a autoridade que procede de Deus não teme desafios, e não se importa se tiver de perder o trono. Afinal éramos apenas 600 vagabundos com um rei chorão.
Davi se encontra velho, Absalão seu filho esta prestes a assumir o reinado. Da mesma forma que Saul estava velho quando Davi estava para assumir o reinado, agora esta Davi para com Absalão. Será que Davi vai perseguir Absalão como Saul o perseguiu? Será que Absalão ira tratar Davi da mesma forma que esse tratou Saul? Só o futuro dirá.
Muitos começaram a ver em Absalão a solução dos problemas do reinado, e ficavam na expectativa de quando o futuro rei assumiria. Mas Absalão tinha consciência de que o rei era o ungido do Senhor, e esperou com paciência seu dia de reinar. Mas, dia após dia chegava a seus ouvidos queixas sobre o reinado de Davi, e isso foi lhe agoniando, até que um dia... Chega! – Se eu fosse o rei as coisas não seriam assim!
A História nos mostra que o ser humano não consegue ficar por muito tempo sobre a autoridade de um líder. Com Absalão não será diferente da mesma maneira que o povo o esta apoiando, um dia apoiara outro. Geralmente a reação daquele que esta no poder é buscar a todo custo manter seu trono.
Davi o tempo todo soube o que o futuro reserva para ele e Absalão, mas escolheu não fazer nada, deixou as coisas tomarem seu rumo, assim como fizera como era moço. Davi sabia que Absalão dividiria o reino de Deus. Davi tinha duas alternativas: perder tudo ou ser outro Saul. Ele podia deter Absalão! Abisai mostrou a Davi que Absalão não era nem um pouco parecido com ele em suas atitudes se comparadas a de Davi para com Saul, e que aquilo que Absalão dizia sobre seu reinado eram exageros.
Davi não foi um Absalão em sua juventude, e pretendia não ser um Saul em sua velhice! Mesmo que isso lhe custasse o reino! Afinal Davi não moveu um dedo para assumir o reino, e não moveria para conservá-lo. O reino é de Deus! Davi buscava a vontade de Deus não o seu poder! Davi ensinava, mais pelo que não fez, do que pelo que fez! Davi não arremessava lanças; não se rebelava contra reis; não expunha um homem; não dividia o reino.
Absalão pediu permissão a Davi para ir oferecer sacrifícios em Hebrom, e mesmo sabendo das intenções de Absalão, o permitiu ir. Logo depois Abisai, noticiou a Davi que Absalão havia se proclamado rei, e que todo Israel foi após ele. Imediatamente Absalão marchou para Jerusalém para tomar o trono. Abisai ficou perplexo com a atitude de Absalão, pois se ele não sendo rei fez uma barbaridade desta, imagina quando tiver o poder.
A única coisa que Davi fez foi deixar o destino do reino nas mãos de Deus. Davi considerava que o trono não era seu, mas de Deus, e imediatamente saiu da cidade, pois não queria ser empecilho para Deus caso esta fosse sua vontade.


Considerações:

A obra por conter o perfil de um “conto” tendo como respaldo a história bíblica de Saul, Davi e Absalão, apresenta uma mescla de acontecimentos históricos conforme apresentado pelo autor bíblico, e um apanhado (suposições) daquilo que se passava no íntimo do coração dos três reis.
            O “conto” em suas suposições revela muito da personalidade existente no ser humano, ao apresentar o perfil de cada rei. Mas não devemos nos esquecer que o objeto de pesquisa é um texto escrito a milhares de anos e por uma cultura diferente da do autor da obra, isso nos faz distinguir entre a realidade objetiva e a realidade que pretendemos projetar para nossa vida devocional e prática.
            Como inspiração devocional a presente obra cumpre o seu papel.