31 de março de 2012

Teologia do Antigo Testamento. História, Método e Mensagem. Ralph L. Smith (resenha)




Por Danilo Moraes
A Teologia do Antigo Testamento surge como uma proposta de estudo como resposta ao organizado pensamento da mente humana. O livro de Ralph Smith visa dirimir questões que surgem durante a leitura do Antigo Testamento apresentando diversos temas que comportam grande parte de seu ensinamento. 
Smith apresenta um panorama da História desta Teologia. Prossegue apresentando a natureza e o método desta Teologia. Posteriormente desenvolve nove temas principais seguidos da conclusão.
Na história da Teologia do Antigo Testamento o autor cita que, em sua forma moderna, mal tem 200 anos. Data-se o início desta disciplina com Johann P. Gabler na Universidade de Altdorf em 1787. Ela está diretamente relacionada com o Novo Testamento. Vemos isso nas relações feitas por Jesus, Paulo, Pedro e o autor de Hebreus.
O autor apresenta sua formação durante a Idade Antiga, Média, Moderna e Contemporânea. A tarefa da Teologia é resumir e ver em conjunto o que o Antigo Testamento, como um todo, diz sobre Deus. Com relação ao nome Antigo Testamento, "muitos escritores cristãos estão fazendo concessões aos judeus, tentando mudar para Bíblia hebraica ou primeiro testamento. Alguns consideram isto um anti-semitismo" diz o autor.
Sobre sua natureza, os métodos descritivos e normativos são analisados. Sobre o método de estudo o autor explica, dentre vários outros métodos, uma lista de dez métodos estudados por Hasel.
No desenvolvimento dos temas o autor inicia analisando como os autores do Antigo Testamento viam a possibilidade do conhecimento de Deus Ele afirma que "o Israel antigo não defendia a existência de Deus nem tentava prová-la; o povo simplesmente aceitava que Deus existe e se revela aos homens. Deus é pressuposto no Antigo Testamento. A existência de Deus jamais é questionada". O autor ainda aborda o estudo do nome de Deus, evidentemente, tudo isso para esclarecer a possibilidade de conhecer Deus.
A Eleição e Aliança também são abordadas. O Antigo Testamento alega que Deus escolheu Israel como seu povo especial. Deus escolheu esse povo porque o amava. Deus chamou Israel para ser luz para os gentios. A eleição de Israel, portanto, não foi baseada no mérito, mas na graça misteriosa de Deus. A base da eleição no Antigo Testamento é a soberania de Deus. São descritas as alianças feitas com Noé, Abraão, Israel no Sinai, Davi, profetas e a nova aliança.
O autor também aborda os temas da salvação e redenção. Discorrendo sobre os diversos vocábulos e conceitos envolvidos.
Deus e o homem também são temas de estudo. Sobre Deus são abordados alguns de seus atributos e algumas de suas características. Deus é Criador, Santo, Amor, Ira, Justiça, Perdão e Unicidade. Quanto ao homem, os escritores do Antigo Testamento são unânimes em afirmar que é um ser criado É feita uma clara e inequívoca diferenciação entre Deus e o ser humano. Os homens são semelhantes a Deus. O ser humano é o único elemento da criação de Deus semelhante a ele. De maneira alguma somos divinos. Não há nenhuma centelha do divino em nossa natureza, mas somos semelhantes a ele. A sociabilidade do homem através das instituições (casamento, família, Estado) também é analisada. Assim como sua natureza.
O pecado e a redenção são os temas subseqüentes. No dizer do autor: "No Antigo Testamento, o pecado despedaça a unidade da natureza humana e destrói a harmonia do mundo. O pecado não é diversão, é tragédia. Uma das tragédias do pecado é que o ser humano não pode derrotá-lo com as próprias forças". Há um grande número de vocábulos que pode ser traduzido por pecado. O autor apresenta a disposição em que, geralmente eles aparecem enumerados por diversos autores. As conseqüências do pecado, individual e coletivamente, são diversas e variadas. A expiação e propiciação são termos empregados este estudo.
A adoração também é tematizada. "A adoração é tão antiga quanto a raça humana" inicia dizendo o autor. São estudados os locais sagrados, épocas e a história da adoração no Antigo Testamento. O Antigo Testamento diz que é bom louvar ao Senhor.
Intrinsicamente ligado ao assunto anterior está a ética, pois, no Antigo Testamento, está ligada à adoração e à religião. "A especificidade dos mandamentos de Deus no Antigo Testamento pode ser a expressão concreta de algum princípio". São propostos métodos para o estudo da ética do Antigo Testamento: examinar as principais passagens éticas, selecionar temas éticos importantes e usar o caminho da história da religião de Israel. "Na Bíblia, religião e ética são inseparáveis. A adoração aceitável a Deus precisa ser moral".
A morte, o além e a escatologia são os últimos assuntos. A pessoa é vista em termos holísticos. A pessoa não deixava de existir após a morte, mas continuava existindo como sombra atenuada da existência anterior, no Sheol. Ele não é um lugar atraente, mas pelo menos ele transmitia a idéia de que a morte não era o fim absoluto da existência.
O livro é de excelente qualidade. Seu posicionamento conservador se torna claro no decorrer da leitura. O autor expõe os temas com clareza e discorre sobre eles com singular propriedade. O conteúdo exposto no livro é de grande enriquecimento. A bibliografia consultada é vasta. Os vocábulos principais são descritos e estudados etimologicamente, sendo também vistos o número de vezes que a palavra aparece. As referências bíblicas são em grande quantidade. Porém a forma como Smith trata os temas abordados deixa um pouco a desejar. Ele apresenta opiniões de diversos autores sobre o tema e procura fazer um fechamento no final, acrescentando assim pouco ao tema abordado.
É notável o uso que Smith faz da obra Teologia do Antigo Testamento Quentões Fundamentais no Debate Atual, do autor Gerhard F. Hasel. Isso se evidência pelas inúmeras vezes em que Smith cita a referida obra, como também pelo emprego de muitas idéias presentes na obra de Hasel. A semelhança se torna mais clara quanto se analisa o primeiro capítulo de Smith “A história da teologia do Antigo Testamento” com o primeiro capítulo de Hasel “Origens e Desenvolvimentos da Teologia do AT”.