11 de março de 2010

Interrogações Exclamativas de um Coração Cristão!



Introdução
O Antigo Testamento expressa um realismo a respeito da natureza humana que não encontramos nas propagandas cristãs, tais como: Sorria Jesus te ama! Jesus é a resposta! – E qual é a pergunta? Os autores do Antigo Testamento apontaram para um dia futuro onde os seus anseios seriam satisfeitos – quando o Messias vier.
Segundo Melâncton “Em toda a Bíblia há duas partes: a lei e o evangelho”.
A lei detecta a doença e o evangelho mostra o remédio.
Quantas vezes não estamos apegados a nossa fé por costume, como um sotaque regional que aprendi na infância? Ou nos perguntamos: será que Jesus tem de fato a resposta para alguma questão fundamental da minha existência? Caso ele não tenha é preferível vivermos em nossa religiosidade!
Três perguntas me incomodam, por isso me volto a Bíblia para buscar anseio, são elas: “Eu sou importante?”, “Será que Deus se importa?” e “Por que ele não age?”. Se Jesus é a resposta ele certamente trata dessas questões tão fundamentais para nós!

1 – Eu sou importante?
Ao olharmos para a multidão de pessoas podemos ser levados a perguntar: Será que são realmente importantes para ele? Diante de um universo de aproximadamente 500 bilhões de estrelas na Via Láctea, mais 200 bilhões de galáxias. Diante disso surge a pergunta: Sou importante? Jó perguntou a Deus: “Que é o homem, para que tanto o estimes...? (Jó 7.17) O Salmista perguntou: “Que é o homem, para que dele se lembres? (Sl 8.4; 144.3).
Em Isaías 49.16 diz: “Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei...”. Israel passava pelo momento mais desesperador de sua história (cidade destruída e templo profanado; vida financeira e espiritual arruinada). O Salmo 137 expressa esse momento (ler). O povo de Israel passava pelos mesmos dilemas que nós temos hoje: Somos de fato o povo escolhido de Deus? (Is 49.14) Cristãos durante todos esses séculos tem feito essa mesma pergunta que o povo de Israel fez. Mas Deus jamais deixaria seu povo sem resposta, ele usa seu servo Isaías para consolar seu povo: “pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim”. (Isaías 49.15-16). Nos capítulos 42-53 temos a resposta de Deus para seu povo – o Messias!
Quem poderá suportar o dia da sua vinda? (assim se indagava o povo de Israel no Antigo Testamento) O Novo Testamento responde: Qualquer pessoa! Na terra Deus experimentou na carne por 33 anos o que é ser um de nós. Jesus é como um pastor que deixa as 99 ovelhas e vai à busca de uma que se perdeu! Como um pai que não para de pensar no seu filho ingrato! Como um anfitrião rico que abre as portas de sua casa para pedintes e vagabundos! A mulher samaritana recebeu o verdadeiro amor! Conclusão: O criador de todas as coisas me ama e me quer! Jesus a cada segundo através de seus atos gritou isso ao mundo. Na mão de Deus tem espaço para o seu nome, acredite! Será que sou importante? Jesus é a resposta!

2. Será que Deus se importa?
AIDS, câncer, morte, enchentes, terremotos, tsunamis, sofrimento, desemprego, solidão, angústia, depressão, catástrofes, drogas, adultérios... Nos perguntamos: Por que? Jó pediu uma resposta para Deus, os salmistas pediram, eu já perguntei (rsrsrs). Será que Deus se importa? Jesus é a resposta! Jesus não nos deixou uma resposta filosófica ao problema da “dor”, mas nos deixou uma resposta “humanitária”. Jesus nos mostrou como Deus se sente diante de nosso sofrimento! Jesus nos dá um rosto a Deus “e esse rosto esta molhado com lágrimas” Jesus chorou! (Jo 11.35).
No Antigo Testamento livros inteiros tratam sobre expressões de dúvidas e decepções: Jeremias, Jó, Lamentações, e muitos Salmos. No Novo Testamento também vemos estes assuntos sendo tratados, passagens como: Tiago 1, Romanos 5 e 8, 1 Pedro e grande parte do apocalipse. Mas não vejo no Novo Testamento uma indagação como: “Esqueceu-se Deus de ter misericórdia?” (Salmos 77). Isso não consta no Novo Testamento, pois Jesus nos apresenta o rosto de Deus! Quer saber como Deus se sente com o seu sofrimento? Olhe para Jesus! Jesus não resolveu o problema do sofrimento para este nosso momento terreno, mas trouxe uma resposta à indagação “Será que Deus se importa comigo?” Em Hebreus 5.7 diz que Jesus ofereceu “nos dias de sua carne... grande clamor e lágrimas, orações e súplicas”. No calvário vemos “Deus lutando com Deus” (Lutero). O próprio Jesus indagou “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Jesus experimentou tristeza, medo abandono e algo próximo do desespero. “Seu suor tornou-se em gotas de sangue” (Lc 22.44).
Em Jesus não temos a resposta da forma como gostaríamos para o sofrimento, mas temos a certeza de termos ao nosso lado o “Emanuel” Deus conosco (Mt 1.23).

3. Por que Deus não Age?
Em certos momentos da vida do povo israelita, jamais passaria sobre suas mentes a pergunta “Por que Deus não age?” viviam em constantes milagres com Moisés. Já, no final do Antigo Testamento vemos que o povo vivia em anos de poucas expectativas. O templo reconstruído não era nem sombra da magnificência do de Salomão, o tempo de paz predito pelos profetas parecia um sonho distante. E diziam “Vós tendes dito: inútil é servir a Deus. Que nos aproveita termos cuidado em guardar os seus preceitos, e em andar de luto diante do Senhor dos exércitos?” (Ml 3.14). O Antigo Testamento termina com um tom de frustração, foi à resposta que Deus deu: 400 anos de silêncio.
Por que Deus não age? Temos uma resposta: Deus já agiu enviando o Messias, e agirá mais uma vez o enviando novamente, desta vez em poder e glória, não em aparente fraqueza e humilde de espírito.

4. Conclusão
Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau”. ( Ecl 12.13-14) Shalom.

Por Danilo Moraes
Mestre em Teologia pela
Faculdade Teológica Batista de São Paulo