2 de fevereiro de 2010

A formação do estado israelita e sua ideologia

Por Danilo Moraes


Este estudo constitui parte do estudo histórico e antropológico. Quando comparado à monarquia israelita com documentos de sociedade estatais permite ao pesquisador descobrir o que faz ou não parte de sua organização e desenvolvimento.

Sempre que ocorre mudança importante no campo sócia político é propicio ocasionar importantes transformações estruturais. Com o estabelecimento do estado o governo se centraliza, impõe leis, taxas e recrutamento de soldados. Isto algumas vezes ocasionava conflitos. O uso da força era demasiado caro e totalmente ineficiente para manter o poder real, ocasionando pesados investimentos
em meios de propaganda do universo simbólico real. Assim, o estado buscava sobreviver usando símbolos religiosos, tendo como seu maior símbolo o fato de que o rei governava garantido pelas divindades do Estado.
        O fato de ocorrer transformações estruturais gerou oposição maior de grupos e indivíduos que mais tiveram a perder, no caso os detentores de terras, que teriam o rei com posse de soberania sobre elas.
           À medida que cresce o poder do rei, cresce também a habilidade de investir maiores recursos para realçar o poder e propagar este universo simbólico a auditórios internos e externos.


 OPOSIÇÃO AO ESTABELECIMENTO DA REALEZA
Estudos tradicionais sobre o surgimento da realeza se basearam basicamente da história Deuteronomista, especialmente 1º Sm 7-15. Alguns buscaram baseados no estudo da teoria da “critica das fontes” de 1º Sm 7-12 impor ao tema algumas criticas. No entanto, parece-nos que estavam mais preocupados em encaixar na monarquia israelita as concepções da nação-Estado correntes na Alemanha do século XIX. Crüsemann (1978, 6-8) frisou que muitas das idéias de Wellhausen foram apresentadas em homenagens para comemorar o aniversário do imperador.
Para Noth, a realeza era uma instituição estranha, posta a Israel pela incerteza da ameaça militar dos filisteus. Para Crüsemann a monarquia era estranha à verdadeira natureza original do Israel pré-monárquico. G. Mendenhall (1975), que minou muitas das teorias deste assunto, baseado em sua teoria de revolta interna de camponeses, viu o estabelecimento da monarquia, em particular os reinados de Davi e Salomão, como uma traição daquilo que ele designou como “a revolução bíblica” caracterizando a monarquia como “rápida reversão ao paganismo da Idade do Bronze Tardia”. Carneiro (1970) argumenta que Estados surgem onde apertos sociais e geográficos impedem a tendência natural de sociedade pré-estatais de fragmentar-se, tendo as pressões demográficas da área definida do país montanhoso central pa Palestina durante a Primeira Idade do Ferro fornecerem a combinação certa para que houvesse o Estado Israelita.

Avanços da arqueologia, e novas informações acerca de estados primitivos levaram estudiosos a questionar tais suposições.


 A CENTRALIDADE DA IDEOLOGIA RÉGIA



Em estados agrários primitivos o poder monárquico baseava-se na legitimização do papel do rei. Procuravam através de propagandas enfatizar que o rei tinha papel central na ordem cósmica. Independente das condições políticas e sociais o rei tinha que ter uma imagem que demonstrasse harmonia cósmica.

A explicação que se dava as diferentes classes sociais girava em torno de um ideal celeste. O papel do rei refletia a realeza de Iahweh. Fica evidente que a sociedade não pode funcionar e continuar existindo sem o governo do rei. O mesmo faz o papel de guerreiro; juiz, e sacerdote.

           A necessidade de investimento de recursos estatais em ritual, cerimonial e arquitetura monumental indica a ameaça sempre presente de rebelião ou usurpação. Manter a lei e a ordem era caso fundamental para as sociedade de nível estatal, pois havia diferentes camadas sociais.

Caso o rei falhe em providenciar a justiça, as estruturas do estado ficam abertas ao caos. Algumas passagens deixam transparecer que se não existir nenhum rei, triunfará o caos.

As fortificações de Salomão em Megido, Hazor e Gezer, com seus imponentes portões, mostravam a autoridade e o poder militar da monarquia.

O rei tinha a responsabilidade em proporcionar um templo para o deus ou os deuses do estado. Porém gozava de uma posição de ungido e inviolável, assim caso pretendessem violar o trovo significava rebelião contra Iahweh. A divindade, que garantia o Estado e a dinastia, tinha o seu lugar de moradia ao lado do rei no complexo de palácio e templo.



CONCLUSÃO


 Deve-se buscar nas disciplinas, tais como história, antropologia e outras ciências sócias, aprofundar-se neste estudo. Somente assim, poderemos então desvencilhar de tantas opiniões diferentes a respeito do mesmo assunto.