23 de novembro de 2010

A Hermenêutica de José Severino Croatto


1. BIOGRAFIA

José Severino Croatto, faleceu com 74 anos em uma segunda-feira, 26 de abril de 2004, em Buenos Aires capital da Argentina, e foi professor emérito do Instituto Superior Evangélico de Estudos Teológicos (ISEDET). Um dos traços distintivos de Croatto foi sua sabedoria, acompanhada de amplo conhecimento e seu dom de ser humano. Era um excelente professor e um grande biblista.

4 de maio de 2010

Introdução à Teologia do Antigo Testamento (Parte 1)



1. Conceito e Definição


O conceito de Teologia do Antigo Testamento está enlaçado ao conceito de “teologia”. Por definição, se entendermos “teologia” como sendo “o estudo de Deus e de sua revelação ao homem”, conseqüentemente a Teologia do Antigo Testamento será “o estudo de Deus e de sua revelação ao homem no Antigo Testamento”. Ao considerarmos que “do” refere-se à “pertencendo a”, o substantivo “teologia” estaria subordinado ao Antigo Testamento, levando-nos a considerar uma “teologia que pertence singularmente ao Antigo Testamento”. Entretanto, o título “Antigo Testamento”, possuiu uma identidade especial, pois se reconhece o “Antigo Testamento” como uma unidade na Escritura Sagrada na qual os cristãos combinam e contrastam com o Novo Testamento. Portanto, Teologia do Antigo Testamento “é o estudo de Deus e de sua revelação ao povo eleito segundo os escritos desse mesmo povo e que, por conseguinte, se difere da revelação de Deus por meio de Cristo”.

É sabido, porém, que o Antigo Testamento é um conjunto de 39 livros no cânon cristão, escritos em épocas distintas por diferentes hagiógrafos. Quanto à literatura, o Antigo Testamento possui diversificadas características literárias que vão desde a prosa até ao gênero apocalíptico. Conseqüentemente, uma Teologia do Antigo Testamento deve contemplar todas essas extensões quer sejam temporais, culturais ou literárias.

Não somos escusados de frisar de que a Teologia do Antigo Testamento se insere dentro da divisão da Teologia conhecida como Teologia Bíblica. Esta por sua vez, se ocupa também da Teologia do Novo Testamento. O propósito da Teologia Bíblica, segundo Ladd “é de expor a teologia encontrada na Bíblia em seu próprio contexto histórico, com seus principais termos, categorias e formas de pensamentos”. 1 Isto posto, uma teologia bíblica do Antigo Testamento deve considerar os graus de desenvolvimento da revelação divina no Antigo Testamento e ser mais descritiva do que prescritiva, isto é, descrever o conteúdo teológico do Antigo Testamento e, não diretamente ocupar-se de sua aplicação, atualização ou acomodação bíblica.2

O encadeamento lógico dessas proposições leva-nos a seguinte definição: “Teologia do Antigo Testamento é a disciplina da Teologia Bíblica que estuda a pessoa, atributos, revelação de Deus, e sua aliança com o povo eleito considerando a progressividade da revelação, os escritos e estilos literários do cânon judaico do Antigo Testamento”.
Embora redundante, urge ressaltar que a Teologia do Antigo Testamento difere-se do estudo denominado de Introdução ao Antigo Testamento. Enquanto o primeiro se ocupa da teologia bíblica nos livros veterotestamentários, o segundo trata dos aspectos pertinentes ao cânon, texto, data, autoria, composição, estrutura e comentário descritivo de cada livro sem deter-se em sua teologia específica. As duas disciplinas formam uma díade e são igualmente necessárias para a compreensão das Escrituras.

2. Definição e Conceito Segundo Alguns Teólogos

O Dr. Asa Routh Crabtree define a Teologia do Antigo Testamento como: A Teologia do Velho Testamento é o estudo dos atributos de Deus e o propósito das suas atividades na história e na vida do povo de Israel, de acordo com a doutrina da revelação divina nos livros sagrados deste povo.3
R. K. Harrison, professor de Antigo Testamento do Wycliffe College, define a disciplina nos seguintes termos: A Teologia do Antigo Testamento esforça-se para expor, do modo mais ordenado possível, as grandes declarações da verdade divina que ocorrem nesses escritos. Tais afirmações podem incluir revelação direta ou proposicional da parte de Deus a respeito da Sua natureza e Seus propósitos, proclamações feita por profetas e outros de temas ou aspectos específicos da Torá e do seu significado para os receptores.4
Segundo Paul Francis Porta, a Teologia Bíblica do Antigo Testamento enfatiza a importância teológica de diversos livros ao revelarem-se no desenrolar gradual da mensagem redentora.5
Outros autores que tratam da Teologia do Antigo Testamento preferem definir Teologia Bíblica em vez de considerar especificamente o título, pois existem muitas controvérsias a respeito do tema. Ralph L. Smith afirma que a literatura básica da disciplina nos últimos 50 anos tem demonstrado pouca concordância quanto à natureza, tarefa e metodologia dessa disciplina.6 De acordo com John McKenzie, na obra “A Teologia do Antigo Testamento” a Teologia bíblica é a única disciplina ou subdisciplina no campo da teologia que carece de princípio, métodos e estrutura que recebam aceitação geral. Nem mesmo existe uma definição geral de seu escopo.7
Concernente a definição, escopo e metodologia, o teólogo Gerhard von Rad, afirma que a Teologia do Antigo Testamento ainda é uma ciência jovem, uma das mais jovens dentre as ciências bíblicas. (...) Predomina a característica de não ter ainda havido um acordo perfeito quanto ao domínio que lhe é próprio.8

Essa falta de consenso entre os teólogos a respeito do assunto têm suscitado calorosas disputas. Um exemplo vislumbra-se no “Prefácio da Quarta Edição” de von Rad onde ele justifica o seu método diacrônico e responde ao teólogo W. Eichrodt e F. Baumgärtel as críticas ao seu método.9 Conseqüentemente, a delimitação e definição do tema conduzem a outra controvérsia não menos importante: o método empregado para se chegar a uma Teologia do Antigo Testamento.

3. Excurso sobre os Métodos de Teologia do Antigo Testamento

De acordo com o teólogo K.H. Harrison uma teologia do Antigo Testamento para ser formulada com sucesso precisa considerar:

O significado que as palavras e os escritos tinham para aqueles que os receberam originalmente;
Deve estar firmemente baseada numa tradição tão fiel ao texto original quanto possível, considerando os problemas de transmissão textual e o fato de algumas palavras hebraicas ainda terem significados desconhecidos;
Manter o devido equilíbrio entre um método de investigação histórico e objetivo e o conceito de uma revelação autorizada e definitiva de Deus em forma escrita;
Por fim, o pensamento dos escritores do Antigo Testamento não deve restringir-se aos interesses que dizem respeito à religião ou à vida dos hebreus antigos. Deve considerar parte da revelação contínua de Deus que chega ao seu ponto culminante na proclamação neotestamentária da Sua graça redentora em Cristo.10

Segundo o teólogo Kaiser Jr. a teologia do Antigo Testamento é a disciplina mais exigente dos estudos vétero-testamentários, e que o escopo dessa disciplina tem desencorajado a maioria dos estudiosos, até mesmo aqueles que estão no fim das suas carreiras acadêmicas.11

Fonte: teologiaegraça.blogspot.com.br

Notas:

1 LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. 2. ed., Rio de Janeiro: JUERP, 1985, p.25.
2 Acomodação Bíblica é o termo usado em exegese e hermenêutica para descrever a atualização da mensagem das Escrituras.
3 CRABTREE, A.R. Teologia do Velho Testamento. Rio de Janeiro:JUERP, 1977,p.32
4 HARRISON, R.K. Teologia do Antigo Testamento. In ELWELL, Walter A. (ed.) Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1990, V.III (N-Z), p. 458.
5 PORTA, Paul Francis. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: EETAD, FAETAD, 1989, p.18.
6 SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento: história, método e mensagem. São Paulo:Vida Nova, 2001, p.67.
7 McKENZIE, John. A Theology of the Old Testament, Garden City: Doubleday, 1974, p.15 apud SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento: história, método e mensagem. São Paulo:Vida Nova, 2001, p.67.
8 RAD, Gerhard von. Teologia do Antigo Testamento: teologia das tradições históricas de Israel. São Paulo: ASTE, 1986, p.11.
9 RAD, Gerhard von. Teologia do Antigo Testamento: teologia das tradições históricas de Israel. São Paulo: ASTE, 1986, p.14-7.
10 HARRISON, R.K. Teologia do Antigo Testamento. In ELWELL, Walter A. (ed.) Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1990, V.III (N-Z), p. 458.
11 KAISE JR., Walter C. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1984, p.vii.

31 de março de 2010

A Matança dos cananitas

Por William Lane Craig
Questão 1:
Nos fóruns, tem havido muitas boas questões levantadas acerca do assunto da ordem de Deus para os judeus cometerem “genocídio” às pessoas da terra prometida. Como você tem colocado em alguns de seus trabalhos escritos que estes atos não se ajustam com o conceito ocidental de Deus sendo um doce papai no céu. Agora nós certamente podemos encontrar justificativas para aquelas pessoas ficarem debaixo do julgamento de Deus por causa dos seus pecados, idolatria, sacrifício de suas crianças, etc. Mas uma difícil questão é a matança de crianças e bebês. Se as crianças são jovens o suficiente

11 de março de 2010

Interrogações Exclamativas de um Coração Cristão!



Introdução
O Antigo Testamento expressa um realismo a respeito da natureza humana que não encontramos nas propagandas cristãs, tais como: Sorria Jesus te ama! Jesus é a resposta! – E qual é a pergunta? Os autores do Antigo Testamento apontaram para um dia futuro onde os seus anseios seriam satisfeitos – quando o Messias vier.
Segundo Melâncton “Em toda a Bíblia há duas partes: a lei e o evangelho”.
A lei detecta a doença e o evangelho mostra o remédio.
Quantas vezes não estamos apegados a nossa fé por costume, como um sotaque regional que aprendi na infância? Ou nos perguntamos: será que Jesus tem de fato a resposta para alguma questão fundamental da minha existência? Caso ele não tenha é preferível vivermos em nossa religiosidade!

2 de fevereiro de 2010

A formação do estado israelita e sua ideologia

Por Danilo Moraes


Este estudo constitui parte do estudo histórico e antropológico. Quando comparado à monarquia israelita com documentos de sociedade estatais permite ao pesquisador descobrir o que faz ou não parte de sua organização e desenvolvimento.

Sempre que ocorre mudança importante no campo sócia político é propicio ocasionar importantes transformações estruturais. Com o estabelecimento do estado o governo se centraliza, impõe leis, taxas e recrutamento de soldados. Isto algumas vezes ocasionava conflitos. O uso da força era demasiado caro e totalmente ineficiente para manter o poder real, ocasionando pesados investimentos

16 de janeiro de 2010

Teologia do Antigo Testamento: Anotações de Milton Schwantes



1 - O Encaminhamento: problemas e pistas

O Antigo Testamento relata-nos um só e mesmo Deus.
A Teologia do Antigo Testamento se desenvolve, através de sua forma de literatura. Deve-se ressaltar que é um livro de história, assim a teologia que quiser estar de acorde deverá ser narrativa, e não conceitual. A separação religiosa entre o histórico e o religioso é inviável. O discurso da fé é iluminado por eventos históricos e, estes o iluminam.       
 Ao fazermos teologia do Antigo Testamento é importante que consideremos a situação, em que os textos testemunham de Deus, e quem fala.
Raras vezes possuímos as palavras dos personagens bíblicos, o que possuímos são as tradições por eles iniciados. Assim é importante localizar as informações do texto dentro de seu contexto e realidade social. Pode-se dizer que o Antigo Testamento, em algumas partes é texto de periferia de setores marginalizados na sociedade.

13 de janeiro de 2010

Frase que marcou a história do protestantismo (Martinho Lutero)


"A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é nem correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém."

12 de janeiro de 2010

História de Israel - John Bright (Resenha)


(7ª edição, revista e ampliada a partir da 4ª edição original –

Bright, John. História de Israel. São Paulo: Paulus, 2003)

Por: Danilo Moraes

A formação de Bright se deu no Union Theological Seminary, local onde atuou posteriormente como professor ensinando línguas bíblicas. Bright cresceu na Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, e bacharelou-se em 1931. Em seguida Bright foi convidado para participar em uma expedição arqueológica em Tell Beit Mirsim, liderada por William Foxwell Albright, e a partir de então Bright passou a ser fortemente influenciado por Albright.

Entre 1931-1935 Bright fez seu mestrado e em 1935 de início ao seu doutorado na Universidade de John Hopkins, onde estudou sob orientação de Albright.

A conquista da Terra de Canaã: Teorias e Debate Atual

Por: Danilo Moraes


Introdução

Dentro da pesquisa do Antigo Testamento, especificamente o período dos juízes e a conquista de Canaã por Israel, historiadores e teólogos têm apresentado inúmeras teorias procurando esclarecer o texto bíblico e algumas vezes até rechaçam qualquer opinião contrária a sua “teoria”. Minha proposta neste trabalho é apenas apresentar algumas dessas teorias, me esquivando de impor qualquer juízo. Tal procedimento satisfatoriamente poderá ser feito em uma outra ocasião.

O período patriarcal

Por: Danilo Moraes

Pode-se dizer que o Período Patriarcal, na narrativa bíblica, vai de Abraão no capítulo 11 do livro de Gênesis até o primeiro capítulo do livro de Êxodo, o qual apresenta uma lista dos filhos de Jacó, ou seja, de 2300-1900 A.C. até 1600-1300 A.C., aproximadamente.

1 - Patriarcas na Mesopotâmia

Terá, pai de Abraão, vivia em Ur dos caldeus, na Mesopotâmia. A Bíblia na fala o porquê, mas Terá saiu de Ur em direção a terra de Canaã, mas não conseguiu chegar lá. Ele e os seus chegaram a Harã, e lá permaneceram.

Teologia do Antigo Testamento - Gerhard Hasel (Resenha)

Teologia do Antigo Testamento, Questões Fundamentais no Debate Atual
(HASEL. Gerhard, F. 2 ed. Rio de Janeiro. Juerp. 1992.)

Por: Danilo Moraes

Em sua introdução Gerhard F. Hasel começa apontando que o estudo da teologia do Antigo testamento esta em crise. E a partir desta premissa ele justifica a relevância de seu trabalho. Hasel adota em toda sua obra uma boa quantidade de notas, o que possibilita ao leitor um aprofundamento no assunto tratado. Em sua obra Teologia do Antigo Testamento, Questões Fundamentais no Debate Atual, ele apresenta no seu primeiro capítulo as “Origens e Desenvolvimento da Teologia do Antigo Testamento” onde de forma sucinta introduz o leitor no fundamento do debate em curso sobre o âmbito, propósito, natureza e função da teologia do Antigo Testamento.