13 de setembro de 2017

Santuários israelitas e a adoração antes do templo de Salomão


antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica


VICTOR P. HAMILTON - As Leis de Deuteronômio 12-26 (Parte 3)

victor hamilton danilo moraesAs Leis de Deuteronômio

Vida e Morte (21)

No início desse capítulo, sugeri que os últimos capítulos do códi­go legal deuteronômico seriam os mais amorfos de todos. Alguns estudiosos têm se contentado em classificar tudo o que há nos capí­tulos 21—25 sob o título de “leis diversas”. O capítulo 21 parece confirmar isso, pois encontramos o seguinte: uma lei acerca da ex­piação do homicídio quando o assassino não tiver sido detido (vv. 1­9); uma lei sobre o casamento com mulheres (solteiras?) captura­das na guerra (vv. 10-14); uma lei sobre heranças, defendendo o direito de primogenitura em um lar bígamo/polígamo (w. 15-17); uma lei sobre filhos rebeldes e contumazes (w. 18-21); uma lei so­bre o sepultamento de um criminoso executado (vv. 22,23).

Carmichael33 sustenta que todas essas leis têm em comum o fato de associarem a morte à vida de forma dramática: a bezerra que nunca trabalhou, o campo que nunca foi lavrado e a pessoa assassinada em campo aberto. A mulher capturada na guerra é raptada da casa de seus pais, por quem ela chora durante um mês, visto que provavelmente não voltará a vê-los; mas ela então se torna esposa de um israelita — uma celebração de uma nova vida. Um pai que se aproxima da morte não deve deixar de garan­tir a vida e o futuro bem-estar de seu primogênito. Os pais sábios tentam proteger a vida de seu filho por meio de conselhos e casti­gos, mas devem entregá-lo à morte se não houver mais esperança e ele se mostrar incorrigível. Permitir que o cadáver de um crimi­noso executado passasse a noite pendurado em um madeiro sig­nificaria contaminar a terra de Israel, uma terra que é viva, não estéril ou maculada. Fica óbvio que esta polarização em particu­lar — vida e morte — é exibida diante dos israelitas ao longo de todo o livro de Deuteronômio.

11 de setembro de 2017

A porta da cidade

antigo testamento danilo moraes
Bíblia de Estudo Arqueológica

RALPH L. SMITH - Quem é Deus como Javé? (Parte 1)

ralph smith danilo moraes
Quando Moisés e Arão ordenaram em nome de Javé que libertasse Israel, o faraó perguntou: "Quem é o SENHOR para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Nao conheço o SENHOR, nem tampouco deixarei ir a Israel" (Êx 5). O faraó não sabia quem era Javé e, por isso, recusou-se a libertar Israel. Sua recusa resultou nas pragas do Egito. Terminadas as pragas, todos no Egito, inclusive o faraó e os israelitas, sabiam quem era Javé (Êx 7.5, 17; 8.10, 22; 9.14-16, 29; 10.2; 11.7; 12.31-32; 14.4, 18, 30). Javé revelou quem ele era por meio do que fez. Com sua mão poderosa e seu braço estendido, livrou da servidão um grupo de escravos. Ele provou ser um Deus de compaixão, poder e propósito. 

Uma coisa é perguntar por ignorância ou desprezo: "Quem é Javé?". Outra, é perguntar em compromisso e fé: "Quem é Deus como Javé?" —indicando que não há nenhum comparável a ele.[1] O Antigo Testamento afirma com freqüência que Javé é incomparável. No Cântico do Mar, a pergunta é: 



Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses?
Quem é como tu, glorificado em santidade,
terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?
(Êx 15.11) 

O salmista disse: 

O teu caminho, ó Deus, é de santidade. 

Que deus é tão grande como o nosso Deus?
Tu és o Deus que operas maravilhas
e, entre os povos, tens feito notório o teu poder.
Com o teu braço remiste o teu povo,
os filhos de Jacó e de José. 

(SI 77.13-15) 

Pois quem nos céus
é comparável ao Senhor?
Entre os seres celestiais,
quem é semelhante ao SENHOR?
(SI 89.6) 

Miquéias perguntou: 

10 de setembro de 2017

O parente resgatador

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Bíblia de Estudo Arqueológica

J. A. THOMPSON - A TEOLOGIA DE DEUTERONÔMIO

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A TEOLOGIA DE DEUTERONÔMIO 

Tanto a forma literária de Deuteronômio quanto seu conceito cen­tral subjacente oferecem um indício importante quanto à teologia bási­ca do livro. Javé, o Deus de Israel, aparece num contexto fortemente aliancista. Ele é o grande Rei, o Senhor da aliança. Deste conceito central derivam as idéias mais refinadas da teologia israelita. o estudo de G. E. Mendenhall, Law and Covenant in Israel and the Ancient Near East (Lei e Aliança em Israel e no Oriente Próximo, 1955 deixou claro que as formas históricas e a linguagem dos antigos tratados haviam sido adaptadas para expressar a visão que Israel tinha de Deus. A aliança mo­saica retratava Deus como o grande Rei que entrava numa aliança (fazia um tratado) com Israel, de modo que Ele se tornava seu Deus e eles se tor­navam Seu povo. Boa parte da linguagem aliancista do Velho Testamento é paralela, etimologicamente ou semanticamente, à linguagem dos trata­dos seculares. Javé é apresentado como Rei, Senhor, Juiz e Guerreiro, ao passo que Israel é retratado como um servo cuja obrigação é “ouvir, obedecer”(sãma‘) e “servir” (‘ãbadj). 

Javé, o Senhor da aliança 

Os tratados seculares começavam com um preâmbulo em que se fa­zia referência a “Fulano de tal, o grande rei”. Vários epítetos eram en­tão usados para descrever o rei: poderoso, favorito dos deuses, valoroso e outros semelhantes. 

Não é possível identificar um preâmbulo detalhado como tal em Deuteronômio, Em estrutura, o primeiro elemento claramente identificá­vel do padrão da aliança é a introdução historica. Há, contudo, através do livro, vários epítetos que bem poderiam ser ajuntados e constituir um preâmbulo. Não há qualquer referência inequívoca a Javé como Rei (melek). 0 uso do termo Rei para Javé no Velho Testamento é compara­tivamente raro. Isto pode se dever à ambiguidade do termo, que era usado pelos reis das pequenas cidades-estado na terra à qual Israel se dirigiu de­pois do êxodo. A realeza de Javé, o Senhor de Israel, era a antítese da so­berania insignificante de tais reis,