30 de dezembro de 2017

Samuel e Saul

antigo testamento
Bíblia de Estudo Arqueológica

Aserá —consorte de Javé?

teologia do antigo testamento
Aserá —consorte de Javé? 

Será que Israel conseguiu viver no meio dos seus vizinhos sem ter uma contrapartida feminina para Javé? Algumas evidências recentes parecem dizer que não. 

William Dever afirmou que o Antigo Testamento contém quarenta referências veladas ao culto de Aserá, a antiga divindade cananéia da fertilidade, consorte do El de Ugarite. Alguns papiros de Elefantina, uma ilha no rio Nilo, foram publicados no começo do século XX (1906, 1908, 1911). Eles vinham de uma colônia militar judaica na ilha e são datados de cerca de 450 a.C. Mostram que havia um templo na ilha, onde Javé era adorado ao lado de outros deuses. Uma das deusas mencionadas nos papiros era Anate, antiga deusa cananéia. John Day examinou a grande quantidade de dados de Ugarite que tratam Aserá como deusa. 

Recentemente, duas escavações arqueológicas no território de Judá trouxeram a lume inscrições de cerca de 750 a.C. Alguns estudiosos interpretaram as inscrições como referências a "Javé e sua Aserá". 

Os textos vêm de duas localidades: Khirbet el-Qôm, aldeia quase a meio caminho entre Hebrom e Laquis, e Luntillet Ajrud, estação remota no caminho do deserto do norte do Sinai, mais ou menos 40 quilômetros a sudoeste de Cades-Baméia. Não podemos comentar todas as evidências aqui, mas parece que a conclusão de Emerton é a melhor até 0 momento: "A Aserá invocada na frase ‘Javé e sua Aserá’ provavelmente é 0 símbolo de madeira da deusa com esse nome, cuja vinculação ao culto de Javé é confirmada no Antigo Testamento. Ela pode ter sido considerada em alguns círculos como consorte de Javé, mas as inscrições não dão prova direta desse relacionamento". 

Quem é Deus como Javé? O Deus que julga, Deus que perdoa, Deus único

teologia do antigo testamento ralph smith
O Deus que julga


O papel de Deus como juiz

Se Deus é um Deus que salva, abençoa, criador, santo, amoroso, será que não é também um Deus que julga? Agir como juiz é incompatível com salvar, abençoar, criar, amar, ira e santidade? O Antigo Testamento fala muitas vezes de Deus como juiz. Logo no começo do Antigo Testamento, Abraão perguntou se é certo que o juiz de toda a terra destrua os justos com os ímpios. "Não fará justiça o Juiz de toda a terra?" (Gn 18.25).

O salmista disse: "Os céus anunciam a sua justiça, porque é o próprio Deus que julga" (SI 50.6).

lsaías disse: "O Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso rei; ele nos salvará" (ls 33.22).

No Antigo Testamento, Deus julga entre indivíduos (Gn 16.5; 31.53; ISm 24.12, 15) e nações (Is 2.4). Ele também julga indivíduos (Gn 30.6; SI 7.8; 26.1-2; 35.24-25; 43.1; 54.1); famílias (ISm 3.13); nações (Gn 15.14; SI 110.6; J1 3.12); seu povo (SI 50.4; 67.4; ls 3.13; 33.22; Ez 36.19); a terra (Gn 18.25; ISm 2.10; SI 9.8; 82.8; 94.2; 96.10); os deuses e as pessoas importantes (Jó 21.22; SI 82.1-2). O fato de Deus poder julgar todos esses grupos indica que tem autoridade e soberania sobre eles.

Três coisas são essenciais a um bom juiz: autoridade e soberania; decisões justas e imparciais; e a capacidade de perceber e interpretar corretamente todas as evidências. Javé tem as três qualidades. Ele é o soberano de toda a terra. Ele julga as pessoas de acordo com o que fazem (Ez 7.27; 24.14; 33.20). Suas decisões são corretas e imparciais (Gn 18.25; SI 9.4, 8; 67.4; 72.2; 75.2; 96.10. Perto do fim do Antigo Testamento, alguns escritores da Sabedoria levantaram questões sérias sobre a justiça de Deus: (Jó 8.3; 9.2, 20, 22-24). A coisa que mais qualificou Javé para ser juiz foi sua capacidade de olhar dentro das pessoas e conhecer-lhes as motivações e o verdadeiro caráter. O Senhor disse a Samuel:

13 de dezembro de 2017

Diferenças Teológicas Fundamentais entre Israel e seus vizinhos


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Bíblia de Estudo Arqueológica


J. A. THOMPSON - O SEGUNDO DISCURSO DE MOISÉS: A LEI DE DEUS (4:44-28:68) (Parte 1)

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Esta longa divisão de Deuteronômio é realmente 0 coração do li­vro. Ela contém as estipulações da aliança, primeiramente sob a forma de princípios gerais (capítulos 5 a 11), e depois sob a forma de exigências detalhadas e específicas. Tal méto­do apresenta íntima semelhança ao conteúdo dos tratados de suserania do Oriente Próximo em que, depois do prólogo histórico, a exigência fundamental da absoluta lealdade do vassalo ao suserano era expressa primeiramente em termos gerais e depois nas estipulações específicas do tratado.


INTRODUÇÃO AO SEGUNDO DISCURSO DE MOISÉS (4:44-49)

Estes versículos servem ao mesmo propósito que 1: 4, 5, isto é, resumir os acontecimentos históricos que precederam a exigência da ali­ança que viria a ser apresentada. É como se Moisés tivesse retomado a sua tarefa de discursar a Israel depois de um intervalo, e o fizesse com um breve resumo dos eventos históricos anteriores que formavam a ba­se da exigência de Javé.

44, 45. Cada um dos termos lei (tôrâ), testemunhos (,êdüt), estatu­tos (hôq), e ordenanças ou decisões judiciais (mispat) tem sua própria conotação, embora um definição detalhada não faça parte do propósito do autor aqui. Lei indica “ensino” num sentido muito geral. Testemu­nhos denota as estipulações da aliança. Estatutos eram leis escritas ou inscritas em material apropriado. Ordenanças eram as decisões de um juiz.

23 de novembro de 2017

SACERDOTES E LEVITAS História, Funções e cumprimento neotestamentário

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SACERDOTES E LEVITAS
História, Funções e cumprimento neotestamentário

Nome
Apesar dos termos “sacerdote” e “levita” aparecerem centenas de vezes no AT e no NT, há muita divergência entre os estudiosos quanto à identidade, função e desenvolvimento dos indivíduos assim designados. Basicamente o assunto tem amplas consequências sobre a história, adoração e religião de Israel.
A palavra “sacerdote”, com e sem modificadores, aparece mais de 700 vezes no AT e mais de 80 vezes no NT. A palavra usual para sacerdote é kohen. Alguns acreditam que é possível que os sacerdotes do AT fossem, a princípio, adivinhadores (veja kâhin, “adivinhador” em árabe), mas admite que não há evidência no AT de condições extáticas por parte dos sacerdotes. Uma parte importante do ministério deles, porém, era a entrega de oráculos por meio da sorte (Urim e Tumim).
Em Deuteronômio, os sacerdotes são chamados “os sacerdotes levitas”, pois Moisés havia delegado direitos sacerdotais aos filhos de Levi (Êx 32.6ss.; Dt 33; Jr 33.17ss.). O sacerdote seria aquele que se coloca de pé perante Deus para ministrar.

Origens